A romã, conhecida há séculos e mencionada em passagens da Bíblia, despertou o interesse de pesquisadores por suas possíveis aplicações na saúde do coração. Em modelos experimentais, cientistas descobriram que um composto produzido ao consumir melhora significativamente o funcionamento cardíaco.
A substância não é exclusiva da romã: ela também é produzida naturalmente pelo organismo após o consumo de nozes e algumas frutas vermelhas. O interesse aumentou por causa de resultados recentes, que apontam para uma ação promissora contra um tipo específico de problema cardíaco com opções limitadas de tratamento.
O que mudou nos testes com a urolitina A

Em experimentos com animais, a urolitina A melhorou em até 80% os parâmetros da função cardíaca. Os pesquisadores focaram na insuficiência com fração de ejeção preservada, uma condição em que o coração consegue bombear sangue, mas fica mais rígido e tem dificuldade para relaxar entre os batimentos.
Nesse cenário, a rigidez impede o órgão de se encher adequadamente, o que causa falta de ar, fadiga e redução da capacidade de fazer exercícios. Os cientistas identificaram que a urolitina A atua sobre uma proteína chamada PKGIα, responsável pelo relaxamento do músculo cardíaco e pela regulação dos vasos sanguíneos.
Nos animais tratados, a urolitina A reduziu a fibrose — o endurecimento do tecido — e restaurou as células cardíacas alteradas pela doença.
De onde vem a urolitina a e por que comer romã não é tratamento
A urolitina A não existe pronta dentro da romã: o organismo a produz naturalmente após digerir a fruta. Por isso, simplesmente aumentar o consumo de romã não funciona como tratamento para insuficiência cardíaca, e os resultados da pesquisa ainda não permitem essa recomendação.
Os cientistas reconhecem que o próximo desafio é investigar formas de estimular a produção de urolitina A no corpo humano e explorar a proteína PKGIα como possível alvo terapêutico. Testes realizados mostraram melhora significativa, sugerindo que os efeitos observados em animais podem ter aplicação em pessoas.
Próximos passos: do laboratório para os pacientes
A urolitina A já passou por testes de segurança em humanos com resultados favoráveis. Ainda são necessários ensaios clínicos para confirmar se a substância realmente funciona contra esse tipo de insuficiência cardíaca em pacientes reais.
A próxima etapa será avaliar se a estratégia melhora a capacidade do coração de relaxar e se encher de sangue em pessoas com a doença.
Se a urolitina A é natural e já passou por testes de segurança, por que não posso tomar agora?
Porque segurança não basta, e uma substância pode ser segura e ainda assim não ser eficaz para o problema específico que você quer tratar. A urolitina A já foi testada em humanos e mostrou ser segura, o que é importante.
Porém, ainda não se sabe se ela melhora a função cardíaca em pacientes com insuficiência cardíaca. Os ensaios clínicos necessários ainda não aconteceram e omitir essa etapa seria arriscar tratar pessoas sem ter certeza de que funciona.





