Uma investigação conduzida pela Universidade de Toronto Mississauga constatou que dividir a cama com cães não trouxe impacto relevante na duração ou na qualidade objetiva do sono dos participantes. Muitos tutores evitam deixar os animais na cama por causa da disputa por espaço, dos movimentos noturnos e das posições incômodas. Os dados coletados pelo estudo, no entanto, contrariaram essa percepção comum.
O estudo, que teve duração de quatro semanas e resultados divulgados pela revista científica PLOS One, acompanhou um grupo de 25 pessoas e 38 cães. Para medir a duração e a eficiência do sono de cada participante, a equipe recorreu a sensores de actigrafia, dispositivos que registram os movimentos do corpo ao longo da noite.
O que os sensores mostraram sobre o sono
Compartilhar a cama com cachorros não causou quedas significativas na duração nem na qualidade objetiva do sono medida pelos equipamentos. Os participantes que dormiam ao lado dos animais não tiveram redução consistente nesses indicadores, e o resultado não confirmou a expectativa comum de que os pets atrapalhariam o descanso.
Donos de vários cães, contudo, relataram uma percepção diferente: disseram que dormiam pior durante as noites. Os aparelhos, porém, não registraram queda equivalente nos indicadores avaliados. A diferença indica que a percepção subjetiva da qualidade do sono nem sempre corresponde aos dados captados pelos sensores.
Ao comparar os movimentos noturnos de tutores e cães, os pesquisadores observaram correlação entre as atividades em 61% das duplas. Humanos e animais se movimentaram simultaneamente durante a madrugada.
Em 45% dos pares com essa sincronização, a movimentação humana ocorreu antes da atividade do animal. Quando uma pessoa mudava de posição ou se mexia durante a noite, seu cachorro frequentemente apresentava algum movimento logo depois.
Com menor frequência, cerca de 18% dos pares com movimentos correlacionados mostraram o caminho oposto, com o cão se movimentando antes do tutor, o que indica que a sincronia pode acontecer em ambos os sentidos.
Essa correlação, contudo, não é suficiente para comprovar que a movimentação de um lado provoque a do outro: o que o estudo evidenciou foi uma associação entre os comportamentos, sem estabelecer uma relação de causa e efeito.
Percepção e dados sobre o descanso compartilhado
A pesquisa revelou uma diferença entre a percepção dos tutores e os dados dos aparelhos: o que as pessoas sentem sobre a qualidade do sono nem sempre corresponde ao que os sensores mostram. Mesmo quando os tutores relatavam noites mal dormidas, os sensores de actigrafia detectavam duração e eficiência normais ou próximas disso.
Isso não quer dizer que cães nunca prejudicam o descanso. Os efeitos da presença animal no sono podem ser diferentes daquilo que os tutores imaginam ou sentem. Alguns fatores, como o tamanho do cão, seu temperamento ou as características individuais de sono do tutor, podem influenciar esse efeito, mas o estudo não os explorou em profundidade.





