Uma tuneladora de aproximadamente 1.764 toneladas escavou durante 19 meses um túnel a cerca de 30 metros de profundidade sob o Aeroporto de Paris-Charles de Gaulle, na França, sem interromper as operações de pouso e decolagem.
Batizada de Virginie, a máquina percorreu cerca de 6,2 quilômetros para construir um trecho subterrâneo da futura linha 17 do Grand Paris Express, projeto de transporte ferroviário que pretende melhorar a conexão entre a capital francesa e os municípios de sua região metropolitana. A escavação foi concluída em 6 de agosto de 2026, e a retirada da roda de corte da máquina marcou uma nova etapa da obra.
O trabalho ocorreu sob uma das áreas mais sensíveis do aeroporto, passando pela região do Terminal 2 e por duas pistas utilizadas por aeronaves. Enquanto a máquina avançava pelo subsolo, os voos continuaram operando normalmente na superfície, sem que a obra exigisse a paralisação das atividades aeroportuárias.
A operação exigiu planejamento e monitoramento constantes para preservar a estabilidade do terreno e evitar impactos sobre a infraestrutura acima do túnel. O desafio era executar uma escavação de grandes proporções em uma área com intenso movimento de passageiros, trens e aviões.
Como a tuneladora conseguiu escavar sob as pistas?
A Virginie foi projetada para avançar pelo solo enquanto escavava o terreno e instalava os elementos necessários para revestir as paredes do túnel. Com aproximadamente 100 metros de comprimento, a estrutura permitiu executar o trecho subterrâneo sem precisar abrir uma vala na superfície do aeroporto.
Esse método é especialmente importante em locais onde a interrupção das atividades causaria grandes transtornos. Em um aeroporto internacional como o Charles de Gaulle, fechar pistas para realizar obras poderia afetar pousos, decolagens e a programação de milhares de passageiros.
Para reduzir os riscos, a construção exigiu controle técnico das condições do solo durante o avanço da máquina. O acompanhamento da estabilidade do terreno é fundamental nesse tipo de operação, sobretudo quando há estruturas pesadas e instalações de transporte em funcionamento acima da área escavada.
A profundidade de aproximadamente 30 metros também permitiu que a tuneladora avançasse sob as estruturas aeroportuárias. O trabalho foi realizado ao longo de 19 meses, desde a partida da máquina, em dezembro de 2024, até a conclusão do percurso em agosto de 2026.
Roda de corte de 10 metros foi retirada após a escavação
Após concluir o trajeto subterrâneo, a tuneladora chegou à área de saída em Tremblay-en-France, município localizado na região metropolitana de Paris. Em seguida, as equipes iniciaram os procedimentos para desmontar a estrutura e retirar seus componentes.
Uma das etapas mais chamativas foi a remoção da roda de corte, peça frontal com aproximadamente 10 metros de diâmetro. O equipamento é responsável por romper o solo durante a escavação e permitir que a máquina avance pelo terreno.
A retirada foi realizada com o auxílio de um guindaste, que içou a enorme peça a partir do poço de saída. A operação marcou o encerramento de uma das fases mais complexas da construção do trecho subterrâneo da linha 17.
O que é o Grand Paris Express?
O Grand Paris Express é um projeto de expansão da rede de transporte público da região metropolitana de Paris. A iniciativa prevê novas linhas de metrô e conexões entre municípios periféricos, com o objetivo de facilitar os deslocamentos sem exigir que os passageiros atravessem o centro da capital francesa.
A linha 17 terá aproximadamente 26,5 quilômetros de extensão e ligará Saint-Denis-Pleyel a Le Mesnil-Amelot. O trajeto atenderá áreas residenciais, centros de atividade econômica e regiões próximas ao Aeroporto de Paris-Charles de Gaulle, além de conectar o entorno do centro de exposições de Villepinte.
A escavação realizada pela Virginie correspondeu ao trecho final subterrâneo da linha. Outras quatro tuneladoras — Sarah, Bantan, Dorine e Florence — também participaram da construção, completando, em conjunto, cerca de 20 quilômetros de túneis ao longo de seis anos de trabalho.
Com a conclusão da escavação da Virginie, a obra avançou para outras etapas de construção, incluindo a finalização de trechos elevados e a preparação da infraestrutura para a futura circulação dos trens. A conclusão do túnel, entretanto, não significa que toda a linha já esteja pronta para transportar passageiros.





