Quem frequenta praias costuma se deparar com uma camada branca e volumosa flutuando na água e acumulada nas margens. Trata-se da espuma do oceano, um fenômeno natural cujas causas ainda despertam curiosidade.
O fenômeno se forma quando o vento e as ondas agitam a superfície marinha com força suficiente para aprisionar ar em bolhas microscópicas. Os componentes dissolvidos na água salgada mantêm essas bolhas coesas, o que explica a persistência da espuma.
Entre os elementos presentes na água salgada estão sais, proteínas, gorduras, resíduos de algas, poluentes, matéria orgânica e organismos como zooplâncton e fitoplâncton. Esse conjunto de substâncias atua como estabilizante natural, o que mantém as bolhas unidas e faz a espuma durar horas ou até dias.
O caso que virou atração turística
Em 2007, a costa australiana de Yamba passou por condições raras que geraram uma grande quantidade de espuma oceânica. Pela aparência cremosa e esbranquiçada, semelhante à espuma de um cappuccino, moradores e turistas passaram a chamar a região de “Costa do Cappuccino”. O nome continua a ser usado pelos visitantes.
O fenômeno se estendeu por cerca de 30 quilômetros mar adentro, cobrindo praias, postos de salvamento e metade das construções à beira-mar. Levou vários dias para desaparecer completamente, mas não danificou propriedades. Como é naturalmente leve, pôde ser removida pelas pessoas que frequentavam a costa.
O episódio virou curiosidade científica e ponto de atração turística.
Fatores como profundidade da água, força dos ventos locais, tipo de sedimento e nível de matéria orgânica variam de uma região costeira para outra, e essas diferenças influenciam tanto a quantidade quanto a composição da espuma formada.
Na maioria dos casos, sua presença indica um ecossistema oceânico produtivo e saudável, um sinal de que há abundância de vida marinha e nutrientes circulando nas águas.
Ainda assim, a espuma nem sempre é inofensiva: episódios de crescimento excessivo de algas tóxicas podem torná-la uma ameaça tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente.
Relatos documentam surfistas que apresentaram tosse, irritação nos olhos e dor de garganta após contato prolongado com espuma contaminada em praias australianas, sinais de que o contato direto pode ser prejudicial dependendo da composição.
Autoridades costeiras recomendam que as pessoas evitem o contato com águas descoloridas e se lavem imediatamente com água doce se entrarem em contato com a espuma. Especialmente quando houver mudanças visíveis na cor ou no odor da água.
Para quem frequenta regularmente as praias, a cor e o odor da água, além das reações após o contato, ajudam a diferenciar a espuma comum daquela gerada por florações tóxicas.
A espuma oceânica pode alcançar quase três metros durante tempestades severas. Quando há algas nocivas, essa altura aumenta a visibilidade da espuma e os riscos potenciais.
Quando a espuma vira sinal de perigo
Embora a espuma do mar geralmente indique um ecossistema saudável, ela pode se tornar prejudicial quando acompanha florações de algas nocivas.
Nesses casos, as toxinas produzidas pelas algas se concentram na espuma e causam irritação respiratória e ocular em quem entra em contato direto, afetando especialmente pessoas com asma ou outras condições respiratórias preexistentes.
O risco não é óbvio à primeira vista: a espuma pode parecer comum, mas mudanças na cor ou no odor da água ao redor indicam que há uma alteração. Nessas situações, surfistas e banhistas relataram tosse, dor de garganta e visão embaçada após permanecer na água.
Na maioria dos casos, não, e a espuma comum do oceano é leve e naturalmente inofensiva, e basta lavar a pele com água doce após o contato. Porém, se houver sinais de mudança, como cor diferente ou odor estranho na água, é melhor evitar o contato.
Quem desenvolver tosse, irritação nos olhos ou dor de garganta após entrar na água com espuma deve sair imediatamente e lavar-se bem com água limpa. Esses sinais podem indicar contaminação por algas nocivas.





