Karl Bushby deixou o sul do Chile há quase três décadas com uma missão simples,: caminhar sem interrupção até Hull, sua cidade natal na Inglaterra, sem usar nenhum meio de transporte além das próprias pernas.
Agora, após 28 anos percorrendo continentes inteiros, Bushby retornou à Inglaterra e planeja chegar à casa de sua mãe até 1º de novembro.
A jornada, que ele batizou de “Expedição Golias”, foi inspirada por um cartão de aniversário do seu pai descrevendo uma conversa entre dois membros das Forças Especiais britânicas que debatiam se seria possível caminhar de Londres a Nova York via Estreito de Bering.
Os obstáculos mais perigosos pelo caminho
Entre 2000 e 2001, Bushby enfrentou a Lacuna de Darién, uma floresta tropical densa entre o Panamá e a Colômbia que era uma zona de conflito na época. Guerrilhas das Forças Revolucionárias Colombianas, paramilitares de direita e traficantes de cocaína disputavam o controle da região.
Em 2006, ele cruzou o Estreito de Bering, uma faixa estreita de gelo marinho entre o Alasca e a Rússia. A travessia de 58 quilômetros levou 14 dias em condições extremas, enquanto o aventureiro dormia ao som do gelo que se quebrava sob seu corpo.
Bushby descreveu a experiência como o “ponto crítico de toda a jornada”, cercado por temperaturas imprevisíveis e o terror constante de um encontro com um urso polar. Em 2024, ele nadou o Mar Cáspio quando outras rotas terrestres para a Europa foram bloqueadas.
O preço pessoal de quase três décadas longe de casa
A crise financeira de 2007-2008 secou os patrocínios que sustentavam a expedição, e a Rússia negou-lhe visto em 2012, forçando adaptações constantes de rota. Recentemente, após ser impedido de usar o Túnel da Mancha, Bushby nadou o Canal da Mancha para finalmente retornar à Inglaterra.
Nos 28 anos de jornada, Bushby viu sua mãe e seu filho apenas um punhado de vezes em encontros pontuais ao longo da rota, e nunca conheceu sua neta pessoalmente.
Em entrevista ao programa Morning Edition, da NPR, Bushby reconheceu que as pessoas mais importantes de sua vida pagaram um preço alto por suas ambições. Um fardo que se torna mais pesado conforme os anos passam.
Quando pessoas o procuram para pedir conselhos sobre longas jornadas, Bushby diz à NPR que recomenda manter as viagens dentro de um prazo razoável. Segundo ele, jornadas que ultrapassam cinco anos começam a prejudicar profundamente relacionamentos e famílias, uma lição acumulada ao longo de sua própria experiência.
Sua definição de lar mudou durante os anos de viagem. Em certos momentos, lugares no México e na Colômbia pareceram mais sua casa do que o destino final. Agora que retornou à Inglaterra, Bushby está se restabelecendo no país onde nasceu e redescobrindo um lugar que o tempo transformou.
Como Karl manteve a expedição financeiramente viável sem patrocínio contínuo
Após perder o apoio financeiro na crise de 2008, Bushby precisou encontrar formas de sustentar a jornada. Tornou-se palestrante, vendeu seu livro “Passos de Gigante” e publicou artigos sobre suas experiências.
Também recebeu ajuda frequente de desconhecidos que dirigiam horas para levar comida até pontos de sua rota. Assim, pessoas de várias partes do mundo assumiram parte do custo da expedição.





