Um vaso sanitário de ouro maciço alcançou US$ 10 milhões no leilão da Sotheby’s, realizado em Nova York. Criada pelo artista italiano Maurizio Cattelan, a obra “América” desafia convenções ao transformar um objeto utilitário em uma peça de valor colossal. Para construí-la, foram usados mais de 100 kg de ouro puro.
Desde 2016, quando surgiu, a obra existe em três versões distintas que circularam pelo mundo e geraram reações intensas. A versão vendida agora estava em poder de um colecionador particular desde 2017 e permaneceu fora dos holofotes públicos até o leilão.
A experiência pública no Guggenheim
Uma das versões anteriores funcionou como banheiro em pleno funcionamento durante um ano no Museu Guggenheim de Nova York. Mais de 100 mil visitantes passaram pela experiência, que propôs uma reflexão artística sobre acessibilidade e democratização da arte a partir de um objeto de porcelana e água.
Depois da exibição, o museu ofereceu a obra ao presidente Donald Trump, que havia solicitado a peça. O gesto evidenciou seu valor simbólico.
Em 2019, o vaso foi levado ao Palácio de Blenheim, onde nasceu o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, e ficou exposto no local. No mesmo mês, a obra foi roubada, o que causou danos estruturais e inundou o palácio.
Um homem de 39 anos se declarou culpado pelo roubo no Tribunal da Coroa de Oxford e confessou o crime, segundo a agência de notícias britânica PA Media. O roubo se tornou um dos episódios mais polêmicos da história recente da obra.

Além de usar mais de 100 quilos de ouro maciço, a obra alcançou US$ 10 milhões no leilão. Segundo a descrição da Sotheby’s, “América” fomentou discurso revolucionário sobre o significado da arte e seu valor, dividindo severamente críticos ao mesmo tempo que conquistava admiradores fervorosos.
O valor de US$ 10 milhões reflete a raridade do material e a relevância cultural de Cattelan. A obra se consolidou como símbolo da arte contemporânea. O artista italiano é conhecido por criar peças controversas que desafiam a percepção sobre o que constitui arte e geram debates em espaços de exibição ao redor do mundo.
Como a arte conceitual desafia o valor material
Na obra “America”, de Cattelan, o que importa não é o ouro em si, mas a ideia por trás dele. Assim como em outras criações do artista, o verdadeiro valor está no certificado de autenticidade e no conceito da obra, não na matéria-prima.
O ouro maciço funciona como provocação: obriga quem vê a questionar por que um objeto cotidiano feito de material precioso se torna arte, enquanto um vaso sanitário comum não.
Isso é típico da arte conceitual, na qual o projeto e a intenção do artista valem mais que o objeto físico. Por isso, mesmo que a banana de “Comedian” seja comida ou substituída, a obra permanece válida: o que importa é a reflexão que ela gera, não a fruta em si.





