Hidromel, a bebida fermentada à base de mel tem origem milenar, mas segue sendo uma novidade para a maioria dos brasileiros, e foi justamente nela que Giulia Fabrin Scussel viu uma oportunidade de negócio.
Natural de Florianópolis, a engenheira agrônoma de 29 anos fundou a Néctar ainda na época da faculdade na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em sociedade com três amigos e com apenas R$ 600 de investimento inicial.
Giulia também preside a Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (FAASC), atuação que contribuiu para sua entrada na lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro, elaborada pela Forbes. A empresa passou de pequenos lotes de 4 litros para cerca de mil litros por mês.
Como surgiu a bebida fermentada à base de mel
Ligada ao agronegócio desde a infância, Giulia se aproximou do universo do mel durante a graduação na UFSC por meio do hidromel. A bebida também a levou a conhecer de perto a apicultura, criação de abelhas com ferrão, e a meliponicultura, criação de abelhas sem ferrão.
O produto reuniu dois interesses de Giulia e dos sócios: o fascínio pelas abelhas e a chance de criar algo novo juntos.
A Néctar nasceu do desejo de Giulia e dos três amigos de manter o trabalho em equipe depois da faculdade. Ao notar a boa aceitação do hidromel, Giulia percebeu que a bebida poderia virar um negócio e convidou Rodrigo, Dylan e Manoella para formalizar a empreitada.
O hidromel é uma bebida alcoólica produzida quando leveduras transformam os açúcares do mel em álcool. A base é simples: mel, água e esses micro-organismos responsáveis pela fermentação.
Frutas, especiarias e outros ingredientes também podem ser incorporados à receita, gerando versões mais leves ou encorpadas, secas ou doces, com gás ou sem. Na Néctar, essa diversidade aparece em rótulos que misturam, por exemplo, tangerina e gengibre, maracujá, hibisco, butiá, além de uma versão com mel de melato da bracatinga, chá-mate e limão.
As características naturais do mel, florais, frutadas, suaves ou intensas, também influenciam os aromas e sabores da bebida e se transformam durante a fermentação. Por isso, o hidromel pode assumir diferentes perfis de paladar.
O hidromel contém álcool, e sua graduação varia conforme a receita e a condução da fermentação. No Brasil, porém, segue padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária: fica entre 4% e 14% em volume, medida a 20°C.
O período entre o início e o fim da fabricação depende da receita e das etapas de fermentação e maturação. Alguns rótulos são consumidos mais jovens; outros passam por mais tempo de maturação, o que contribui para o desenvolvimento de novos aromas e sabores.

O tamanho real do mercado de hidromel no Brasil
Segundo levantamento do Anuário da Cerveja, o mercado brasileiro de bebidas fermentadas segue crescendo. Iniciativas como a da Néctar ajudam a ampliar a aceitação de um produto milenar que ainda tem espaço para inovação no país.
A produção de cerca de mil litros por mês da Néctar ajuda a dimensionar o tamanho ainda reduzido do mercado de hidromel no país. A Associação Sul Brasileira de Produtores de Hidromel estima que as mais de 100 hidromelarias cadastradas produzam entre 500 e 5 mil litros por mês.
Assim, a produção de uma empresa jovem de Florianópolis pode representar uma parcela significativa da produção nacional. O consumo no Brasil gira em torno de 1,2 milhão de litros por ano.
Para comparação, o mercado de cerveja opera em escala completamente diferente: existem 1.954 cervejarias e 56.170 marcas, que produzem 15,6 bilhões de litros por ano. A diferença indica que o hidromel, apesar de ser uma bebida milenar, ainda tem participação pequena no mercado brasileiro e espaço para crescer.
Apesar de estar entre as bebidas alcoólicas mais antigas que a humanidade conhece, o hidromel ainda tem presença pequena no mercado brasileiro. Segundo dados da própria indústria, o consumo anual nacional é de 1,2 milhão de litros, volume muito inferior ao da cerveja. Em eventos de produtores, é comum encontrar pessoas que nunca ouviram falar da bebida.
Empresas como a Néctar ajudam a ampliar esse conhecimento, mas o hidromel ainda está longe de fazer parte da rotina dos brasileiros como a cerveja ou o vinho.





