João Marinho Neto e Ken Weeks, separados por quase 15 mil quilômetros, celebraram a mesma data de nascimento em outubro deste ano. O cearense, agora com 114 anos, é o homem vivo mais velho do mundo, enquanto o australiano, de 113, ocupa o segundo lugar no ranking mantido pela LongeviQuest e pelo Guinness World Records.
A coincidência vai além da data: eles nasceram exatamente um ano depois um do outro e ocupam as duas primeiras posições do ranking global de longevidade masculina. Os dois posaram para fotos segurando mensagens manuscritas, uma dirigida ao outro.
Do trabalho rural à longevidade cearense

Maranguape, no interior do Ceará, foi o ponto de partida de João Marinho Neto. Filho de agricultores, mudou-se ainda criança para a zona rural de Apuiarés, também no estado. Desde os quatro anos, participava das tarefas do campo: cuidava do gado e colhia frutas para ajudar a família.
Essa rotina de trabalho rural acompanhou boa parte de sua vida. João deixou sete filhos: quatro da união com Josefa Albano dos Santos e três com Antonia Rodrigues Moura. Seis continuam vivos. Ele também tem 22 netos, 15 bisnetos e três trinetos.
Quando chegou ao topo do ranking mundial
João assumiu o título de homem vivo mais velho do mundo em novembro de 2024, após a morte do britânico John Tinniswood. O Guinness World Records homologou oficialmente a posição no dia 28 daquele mês. Em maio de 2025, ele se tornou o brasileiro mais longevo de que se tem registro validado.
Ao completar 114 anos, ingressou num grupo restrito: apenas nove homens com idade verificada alcançaram essa marca ao longo da história. João atribui sua longevidade à convivência com pessoas boas e à proximidade com a família. Além disso, não sofre de pressão alta, colesterol elevado ou diabetes, condições que afetam muitas pessoas em idades avançadas.
Por que chegar aos 114 como homem é tão raro
A diferença biológica entre os sexos se acentua nas idades extremas. Mulheres vivem mais do que homens, o que torna a marca dos 114 anos ainda mais improvável entre os homens. Ben Meyers, especialista da LongeviQuest, disse que é mais raro um homem chegar aos 114 do que uma mulher chegar aos 117.
A britânica Ethel Caterham, de 117 anos, é a pessoa mais velha do mundo. Nas posições superiores do ranking geral, que reúne homens e mulheres, predominam as mulheres.
O caminho até o próximo recorde histórico
O recorde documentado de longevidade masculina pertence ao japonês Jiroemon Kimura, que viveu 116 anos e 54 dias antes de morrer em 2013. Para igualar essa marca, João precisaria chegar ao fim de novembro de 2028, quando teria 116 anos, pouco mais de dois anos além da idade atual.
Pesquisadora Mayana Zatz coordena um projeto que coleta material genético de centenários brasileiros para identificar variantes genéticas protetoras. Esse trabalho busca compreender os mecanismos biológicos por trás da longevidade extrema, oferecendo pistas sobre como alguns indivíduos conseguem vencer os limites de uma vida longa.
Quem decide quem é o ser humano mais velho
Não existe autoridade única encarregada de confirmar quem é a pessoa mais velha do mundo. Organizações independentes como LongeviQuest e Gerontology Research Group localizam certidões de nascimento, cruzam registros civis e eclesiásticos e só então validam as idades. O Guinness World Records costuma se apoiar nesse material para conceder o título oficial.
Como cada entidade segue seu próprio cronograma de validação, as listas nem sempre coincidem simultaneamente. Um caso pode estar homologado por uma organização e ainda em análise por outra, produzindo divergências temporárias entre os rankings publicados. No caso de João Marinho Neto, ambas as principais instituições concordam: ele é, sem dúvida, o homem vivo mais velho do mundo.





