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A “cidade fantasma” onde o tempo parou e ninguém vive há 15 anos

Por Julia da Silva
22/03/2026
A “cidade fantasma” onde o tempo parou e ninguém vive há 15 anos

Créditos: Globo/Reprodução

Não há placas de alerta chamativas nem sinais imediatos de destruição. As ruas estão organizadas, os postes funcionam e muitas casas seguem intactas. Ainda assim, basta um olhar mais atento para perceber: não há vida. Em partes de Fukushima, o tempo parece ter sido interrompido desde 2011.

O motivo está em um dos episódios mais graves da história recente. Em 11 de março daquele ano, um terremoto de magnitude 9.0 atingiu o Japão, seguido por um tsunami devastador. O impacto danificou os sistemas de resfriamento da usina Fukushima Daiichi, provocando o derretimento de reatores e a liberação de նյութ radioativo — o pior acidente nuclear desde o Desastre de Chernobyl.

Radiação, evacuação e medo: por que ninguém voltou

A contaminação obrigou a retirada imediata de cerca de 160 mil pessoas, criando uma extensa zona de exclusão. Em áreas mais próximas da usina, o acesso ainda hoje é restrito, permitido apenas a equipes autorizadas. Mesmo onde a entrada já foi liberada, o retorno da população tem sido mínimo.

O cenário ajuda a explicar. Casas continuam de pé, mas vazias. Escolas, hospitais e comércios permanecem fechados, o que dificulta qualquer tentativa de reconstruir a rotina. Em várias cidades, sacos pretos gigantes se acumulam — são toneladas de solo contaminado retirado durante o lento processo de descontaminação.

Além disso, há um fator invisível, mas decisivo: o medo. Apesar de medições indicarem que algumas áreas apresentam níveis de radiação considerados seguros, muitos antigos moradores não confiam totalmente nas condições atuais. A falta de infraestrutura básica e de oportunidades também pesa na decisão de não voltar.

Hoje, Fukushima carrega uma marca única. Diferente de outros desastres, que deixam ruínas visíveis, ali o que permanece é uma ausência silenciosa. As cidades continuam no mapa — mas, para muitos, deixaram de ser habitáveis.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Julia da Silva

Julia da Silva

Jornalista com experiência em textos jornalísticos e de redação criativa, interessada pelo mundo e por boas histórias.

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