O processo para a venda de 90% da SAF do Vasco ganhou um avanço importante nesta semana. Conforme informado pelo ge, o watchdog Athos Neves, profissional nomeado pela Justiça para acompanhar as finanças e a governança da SAF, apresentou parecer favorável à negociação. A manifestação representa a primeira avaliação positiva de um agente externo envolvido no processo e permite que a operação avance para as próximas etapas.
O documento foi apresentado nos autos do processo e não cita diretamente o empresário Marcos Lamacchia, que é o principal candidato a assumir o controle da SAF. Apesar disso, a negociação entre o empresário e a diretoria comandada por Pedrinho está avançada. A proposta prevê a aquisição de 90% da empresa responsável pelo futebol do clube.
O que o watchdog disse sobre a venda?
No parecer, Athos Neves afirmou não se opor aos pedidos apresentados pelo Vasco, mas estabeleceu condições para que a operação siga adiante. Entre os pontos destacados estão a necessidade de garantir transparência, publicidade, maximização do valor do ativo e competitividade.
Na prática, isso significa que o watchdog considera possível a continuidade do processo, desde que a negociação preserve critérios que permitam à Justiça acompanhar a operação e verificar se o patrimônio da SAF está sendo tratado de maneira adequada.
O parecer, portanto, não representa sozinho a autorização definitiva para a venda. Ele funciona como uma manifestação favorável dentro do processo judicial, que ainda precisa passar por outras instâncias antes da conclusão da operação.
Por que o parecer é importante?
O ponto central está justamente na função exercida por Athos Neves. O watchdog foi criado no processo para atuar de maneira independente da administração do Vasco e acompanhar as questões financeiras e de governança da SAF.
Ele recebe documentos, monitora as movimentações e apresenta relatórios à Justiça. Além disso, precisa informar ao desembargador e ao juízo responsável qualquer negociação do clube que ultrapasse R$ 5 milhões, além de comunicar os demais passos financeiros relevantes da SAF.
Isso faz com que sua manifestação tenha peso dentro do processo. Antes de apresentar o parecer positivo, Athos teve acesso às informações financeiras e aos documentos relacionados à operação. A análise, portanto, ocorre a partir da função de fiscalização que lhe foi atribuída pela Justiça.
Watchdog não participa da administração do Vasco
Apesar do nome estrangeiro, o watchdog não é um dirigente e também não assume o controle das negociações. Sua função é justamente acompanhar o que está sendo feito pela administração sem interferir na rotina do clube.
No caso do Vasco, Athos Neves foi escolhido como uma figura independente após ter atuado como interventor judicial durante o período em que Pedrinho esteve afastado da presidência. A indicação ocorreu em consenso entre o clube e os integrantes da Justiça envolvidos no processo.
A partir da nomeação, ele passou a ter acesso às informações financeiras da SAF e ficou responsável por fiscalizar aspectos relacionados à governança. Também não pode ser substituído pela própria administração vascaína, justamente para preservar a independência da função.
Dessa forma, o parecer favorável não significa que Athos esteja participando da negociação como representante do Vasco. Ele apenas avaliou a operação dentro das atribuições determinadas pela Justiça e informou ao juízo que não se opõe ao prosseguimento, desde que as condições estabelecidas sejam respeitadas.
Venda ainda precisa de outras aprovações
Mesmo com o parecer positivo, a venda dos 90% da SAF ainda não está concluída. O processo precisa receber manifestações favoráveis de outros agentes envolvidos na recuperação judicial do Vasco.
Entre eles estão o administrador judicial, o Ministério Público e a juíza responsável pelo caso. Portanto, o parecer de Athos representa um avanço, mas não encerra a análise necessária para que a transferência do controle seja efetivamente autorizada.
O empresário Marcos Lamacchia aparece como o principal interessado na operação. A empresa ligada a ele, a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., atua como investidor-âncora e possui direito de preferência dentro do processo competitivo.
A proposta apresentada prevê pelo menos R$ 650 milhões em investimentos ao longo de cinco anos, segundo informações divulgadas pelo clube sobre a negociação.
O que acontece agora?
Com o parecer positivo do watchdog, o processo passa a contar com uma manifestação favorável de um dos responsáveis pela fiscalização independente da SAF. A partir disso, as demais autoridades envolvidas deverão analisar a operação antes de uma decisão definitiva.
O Vasco, portanto, ainda não vendeu os 90% da SAF, mas a negociação ganhou um sinal verde importante. O próximo passo será obter as demais autorizações necessárias para que a operação possa ser concluída.





