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Aviões dão voltas antes de pousar por um motivo que encarece voos e aumenta a poluição

Por Jeferson da Rosa
28/10/2026
Aviões dão voltas pousar motivo

Imagem: Pixabay

Quem já viajou de avião conhece a cena: a aeronave se aproxima do destino, mas em vez de descer, começa a fazer círculos no ar. O passageiro espera apenas alguns minutos, mas a espera se estende, e a frustração cresce junto com o consumo de combustível.

Essa situação, rotina em voos internacionais, não é falha dos pilotos, mas reflexo de um sistema de tráfego aéreo sobrecarregado que custa bilhões anualmente. Em 27 de outubro, a Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou uma proposta para atacar o problema nos aeroportos globais.

A solução envolve coordenação entre terminais e antecipa os atrasos ainda na origem do voo, antes que o avião levante voo. O modelo, já testado em continentes, reduz emissões e economiza tempo de voo de forma significativa.

O padrão de espera e seus custos

Quando o espaço aéreo fica saturado, aviões recebem ordem para aguardar em um ponto fixo do espaço enquanto resolvem questões operacionais ou esperam permissão para aterrissar. Essa manobra, conhecida como padrão de espera, força a aeronave a queimar combustível desnecessário durante minutos ou até horas em algumas situações extremas.

Cada volta no ar representa emissões extras de carbono e desperdício de energia. Os números refletem a gravidade do cenário. Só na Europa, atrasos causados por congestionamento aéreo resultaram em perdas de mais de US$ 2,3 bilhões em 2025, conforme a Eurocontrol, entidade que coordena o tráfego aéreo no continente.

A Organização da Aviação Civil Internacional estima que companhias aéreas transportam cerca de 5,7 milhões de passageiros diariamente, projeção que pode alcançar 12,4 bilhões até 2050, tornando o problema ainda mais crítico.

As normas de aviação civil exigem que cada aeronave seja abastecida com combustível suficiente não apenas para voar até o destino, mas também para manter 45 minutos de padrão de espera.

Se o tempo de circulação ultrapassar esse limite e o combustível cair para níveis críticos. O piloto comunica à torre de controle e recebe prioridade na fila de pouso ou é redirecionado para outra pista. Essa margem de segurança garante que nenhuma aeronave pouse em emergência, mas também incentiva práticas ineficientes.

A proposta da ONU: semáforos no céu com resultados já comprovados

O secretário-geral da Organização da Aviação Civil Internacional, Juan Carlos Salazar, propõe um sistema inspirado em semáforos de trânsito urbano. 

A analogia ilustra bem o conceito: se semáforos funcionam isolados, sem coordenação, o congestionamento se multiplica nas ruas. No tráfego aéreo, o mesmo ocorre quando cada aeroporto age independentemente.

A solução coordena decisões desde o ponto de partida: quando um aeroporto de destino se aproxima da capacidade máxima, ele emite um aviso que alcança os aeroportos de origem. Em vez de autorizar decolagens cujos voos teriam de esperar horas em órbita, os terminais de partida atrasam estrategicamente o lançamento das aeronaves.

Voos com decolagem postergada consomem menos combustível e geram menos poluição do que aqueles que esperam no ar.

Testes executados com apoio da Organização da Aviação Civil Internacional no continente americano já demonstraram efetividade da abordagem. A economia de tempo nos voos alcançou 265 mil minutos durante o período de testes, número que se traduz em redução de emissões e economia de combustível para as companhias aéreas.

Embora o Brasil já aplique medidas similares, o país opera com restrições que impedem aproveitamento total do potencial. O desafio agora é expandir essa coordenação para todos os aeroportos do mundo. 

Com o crescimento previsto no tráfego aéreo até 2050, implementar sistemas inteligentes de gestão não é mais uma opção, mas uma necessidade para manter a aviação funcional e sustentável.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão.

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