Reconhecer os primeiros sinais clínicos do Alzheimer pode mudar significativamente o curso da doença, já que o diagnóstico precoce permite iniciar mais cedo tratamentos e medidas de estimulação, além de planejar os cuidados que a pessoa vai precisar.
Ainda assim, entre 35% e 40% dos casos permanecem sem diagnóstico e, portanto, sem tratamento, segundo o geriatra José María Jiménez Páez, do Hospital Quirónsalud Córdoba e do Centro Médico Quirónsalud Jaén, na Espanha.
Os sinais que merecem atenção
Esquecimentos frequentes de fatos recentes, repetição de perguntas ou histórias, perda habitual de objetos, dificuldade para encontrar palavras, problemas para realizar tarefas já conhecidas e alterações na orientação, no cálculo ou na capacidade de raciocínio estão entre os sintomas que podem alertar para o início da doença.
Mudanças de humor ou de comportamento também podem aparecer, mas nem todos esses sinais indicam necessariamente Alzheimer, mas justificam uma avaliação médica para determinar a origem do problema.
O que merece atenção é uma mudança persistente no funcionamento habitual da pessoa, sobretudo quando começa a interferir na autonomia ou nas atividades do dia a dia.
Ciência foca em detectar antes dos sintomas
A doença de Alzheimer começa a se desenvolver no cérebro décadas antes de os primeiros sintomas clínicos aparecerem. Por isso, pesquisas recentes têm avançado no uso de biomarcadores, indicadores biológicos que revelam a presença de placas de proteína beta-amiloide e emaranhados de tau no cérebro, muitas vezes por meio de exames de sangue ou de imagem, antes mesmo de qualquer sinal perceptível de esquecimento.
Ainda assim, o diagnóstico clínico continua sendo baseado principalmente nos sintomas, com os biomarcadores contribuindo como ferramenta de confirmação.
Diagnosticar a tempo permite entender melhor a situação da pessoa, montar um plano de ação individualizado e cuidar desde o início de aspectos ligados à saúde, à funcionalidade e ao bem-estar emocional, o que também facilita o planejamento familiar dos cuidados. Embora não exista cura, o Alzheimer tem tratamento que pode desacelerar sua progressão e melhorar a qualidade de vida de pacientes e famílias.
Com o envelhecimento populacional, o impacto da doença deve continuar crescendo: projeções da Confederação Espanhola de Alzheimer e Outras Demências apontam que a Espanha pode chegar a 3,6 milhões de pessoas afetadas em 2050, o triplo do número atual.





