As famílias brasileiras pagaram menos na conta de luz ao longo de 2026, com menos acionamentos das bandeiras tarifárias do que em 2025. Em outubro, vigorou a bandeira verde, sem cobranças adicionais, e nos dois anos anteriores, a bandeira vermelha pesou na fatura no mesmo mês.
O alívio, porém, não garante tranquilidade nos próximos meses. A chegada de um El Niño de forte intensidade pode alterar o regime de chuvas no país e reacender as cobranças extras no início de 2027.
O fenômeno deve trazer chuvas intensas no Sul, mas reduzir as precipitações no Norte e no Nordeste no primeiro semestre de 2027, e sudeste e Centro-Oeste enfrentarão seca.
Como ficou a conta de luz neste ano
Em 2025, as bandeiras amarela e vermelha foram acionadas com frequência, deixando a conta de energia cerca de R$ 74,70 mais cara ao longo do ano. Oito dos 12 meses tiveram algum custo extra, e o valor foi maior no segundo semestre.
Neste ano, a bandeira amarela vigorou apenas de maio a setembro, e nenhuma bandeira vermelha foi acionada em seus dois patamares.
A melhora reflete o aumento do volume de chuvas nas regiões Sul e Sudeste, que estabilizou o nível dos reservatórios das hidrelétricas, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com os reservatórios mais cheios, caiu a necessidade de acionar usinas termelétricas, que são mais caras e encarecem o sistema de geração como um todo.
Regulamentado em dezembro de 2012, o sistema de bandeiras tarifárias serve para tornar visível o custo real da energia gerada naquele momento, incentivando o consumidor a controlar seu próprio gasto, segundo a Aneel. A cobrança aplica-se a todos os consumidores, conforme o volume mensal consumido em quilowatts-hora (kWh).
Cada faixa da bandeira tem um valor adicional por 100 kWh consumidos: R$ 1,88 na amarela, R$ 4,46 na vermelha patamar 1 e R$ 7,87 na vermelha patamar 2, o teto da tabela. Quanto mais alta a bandeira, maior o custo de geração sendo repassado à fatura do consumidor.
Reservatórios cheios não eliminam o risco climático
A ausência de bandeiras vermelhas em 2026 sinaliza uma melhora, mas não pode ser interpretada isoladamente, de acordo com especialistas em mudanças climáticas. A bandeira reflete apenas as condições e os custos momentâneos da energia, não o volume total produzido ou armazenado nas hidrelétricas.
Esse alerta ganha peso diante da previsão de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, com potencial de persistir até o início de 2027.
O fenômeno tende a provocar chuvas mais intensas no Sul e reduzir as precipitações no Norte e Nordeste no primeiro semestre de 2027, enquanto o Sudeste e Centro-Oeste podem enfrentar seca e poucas chuvas no segundo semestre.
Os efeitos do El Niño não se limitam às hidrelétricas. O aumento da temperatura costuma elevar o consumo de eletricidade, pressionando o sistema de geração e a demanda por energia em diferentes regiões.
Especialistas indicam que, se as chuvas ficarem abaixo da média, as bandeiras tarifárias serão acionadas novamente. Dependendo das condições hidrológicas, pode ser necessário intensificar o uso de usinas termelétricas ou recorrer a outras fontes de energia disponíveis.
O Operador Nacional do Sistema opera com 65,9% do volume útil nas hidrelétricas. Diante desse cenário, é recomendado que os estados e municípios revisem e atualizem seus planos de contingência.
Por enquanto, a bandeira verde garante alívio na conta de luz, mas o comportamento das chuvas, especialmente no Centro-Oeste, que concentra importantes reservatórios, determinará se esse cenário favorável persiste.





