Quando Pedro Lourenço de Oliveira começou a trabalhar nos anos 1970, sua função era descarregar caminhões na porta das Casas da Banha, um supermercado de bairro em Belo Horizonte. Não havia plano de carreira, não havia MBA, não havia família de empresários.
Quase cinco décadas depois, esse mesmo homem assina contratos que movimentam bilhões. Em 2025, o Supermercados BH, rede fundada por ele em 1996, faturou R$ 25,72 bilhões, a quarta maior receita entre as redes de supermercados do país, segundo o ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
São 420 lojas espalhadas por Minas Gerais e Espírito Santo, 50 mil funcionários e um centro de distribuição que processa milhões de itens por dia.
Já o futebol, para Lourenço, é outro capítulo. Em 2023, comprou 90% da SAF do Cruzeiro de Ronaldo Nazário por R$ 600 milhões e já injetou mais de R$ 250 milhões no clube desde então.
Para a torcida cruzeirense, ele é o dono do time. Para o mercado, ele é o homem que está prestes a comprar a DMA Distribuidora, dona das marcas Epa Supermercados e Mineirão Atacarejo, operação que faturou R$ 8,9 bilhões no ano passado e que, se a negociação for concluída, levará o grupo a R$ 34,6 bilhões em receita e cerca de 600 lojas.
O método: crescer comprando
Segundo analistas, a trajetória do Supermercados BH é um manual de expansão por aquisições. A rede começou como uma loja de bairro em 1996. Nos anos seguintes, absorveu pequenas cadeias mineiras. Em 2025, deu o maior salto: comprou as operações do Bretas, rede chilena controlada pela Cencosud, em Minas Gerais por R$ 716 milhões.
O resultado disso apareceu logo nos números: a receita saltou de R$ 17,38 bilhões em 2023 para R$ 21,27 bilhões em 2024 e R$ 25,72 bilhões em 2025. O crescimento é tão consistente que o grupo já aparece na 9ª posição do ranking TOP 300 do Varejo, atrás apenas de gigantes como Carrefour Brasil e Assaí.
No caso do futebol, o Cruzeiro não é visto como um investimento financeiro no sentido estrito para Lourenço e está mais para uma aposta de identidade. Nascido em Paineiras, criado em Belo Horizonte, ele é cruzeirense desde criança. A compra da SAF, ele tem dito em entrevistas, é “um presente para a cidade”.
No entanto, os números contam outra história: os R$ 600 milhões pagos pelo clube representam menos de 2,5% da receita anual do Supermercados BH. O futebol é, na prática, um ativo simbólico, uma forma de consolidar a marca do empresário no imaginário mineiro, onde o Cruzeiro é instituição.




