Uma casa de 650 m² erguida em Ahilyanagar, no estado indiano de Maharashtra, usa como inspiração de projeto um formigueiro para se manter fresca sem depender de ar-condicionado.
Batizada Anthill House, a obra foi assinada pelos arquitetos Kaushal Suresh Tatiya e Sweety Muttha, do escritório Kaushal TaTiya Architects, e concluída neste ano.

Paredes perfuradas filtram sol e deixam o ar circular
A casa não copia a aparência de um formigueiro: reproduz sua lógica de funcionamento, com câmaras, corredores e pequenas aberturas que trocam ar com o exterior constantemente. Por fora, predomina uma massa compacta de tijolo; por dentro, a geometria se abre progressivamente em cômodos, pátios e passagens estreitas.
O elemento central da fachada são os jaalis, painéis de tijolo perfurado tradicionais da arquitetura do sul da Ásia.
Em vez de uma parede fechada, pequenas aberturas deixam o ar passar e ao mesmo tempo filtram parte da radiação solar, funcionando como uma segunda pele que gera sombra sem isolar totalmente o interior do exterior.
O tijolo também contribui com massa térmica: paredes pesadas absorvem parte do calor do dia e atrasam sua transmissão para dentro da casa, o que ajuda a equilibrar a temperatura entre o dia e a noite.

Efeito chaminé e pátio com cascata reforçam o resfriamento
Dutos verticais de ventilação e clarabóias permitem que o ar quente, mais leve, suba e escape pela parte alta da construção, favorecendo a entrada de ar fresco pelas aberturas mais baixas, no chamado efeito chaminé, que dispensa qualquer equipamento mecânico. A isso soma-se a ventilação cruzada: os quartos têm janelas pequenas e varandas posicionadas para permitir que o ar atravesse os ambientes.
No centro da área social, um pátio interno abriga uma cascata de água que funciona como resfriamento evaporativo, técnica eficiente em climas quentes e relativamente secos como o de Maharashtra, embora perca eficácia em ambientes muito úmidos.
Refrigeração já responde por 15% do crescimento da demanda elétrica indiana
O projeto chega num momento estratégico para a Índia: segundo a Agência Internacional de Energia, cerca de um em cada cinco lares indianos já tem ar-condicionado, e o país vendeu 14 milhões de aparelhos em 2024, ante 11 milhões no ano anterior.
Entre 2021 e 2025, a refrigeração de ambientes respondeu por cerca de 15% do crescimento da demanda elétrica do país, fatia que a agência projeta subir para mais de 20% entre 2026 e 2030.
O governo indiano já incorporou essa preocupação em política pública: o programa India Cooling Action Plan prioriza reduzir a necessidade de refrigeração dos prédios antes de recorrer a equipamentos mais eficientes, e o país conta com normas específicas de eficiência energética para construções residenciais, como o código Eco-Niwas Samhita.





