Pesquisadores da Universidade Columbia identificaram um período de transformação intensa no cérebro humano que começa por volta dos 50 anos e se estende até aproximadamente os 75, com mudanças profundas na organização das células imunes do órgão, na barreira que protege o cérebro do sangue e na estrutura do genoma.
O estudo foi publicado em setembro de 2026 com resultados divulgados pelo ScienceDaily.
O que muda?
A alteração mais chamativa foi detectada nas micróglias, as principais células imunes do cérebro. Esses elementos se formam ainda no período embrionário e, até agora, a ciência assumia que permaneciam no cérebro e se renovavam ao longo de toda a vida.
O estudo mostra que, entre os 50 e os 75 anos, as micróglias originais declinam progressivamente e são substituídas por células com perfil molecular parecido com células imunes que circulam no sangue, e essas células substitutas carregam sinais inflamatórios mais intensos, o que pode contribuir para a neuroinflamação persistente associada ao envelhecimento cerebral.
Para Bing Ren, diretor científico do New York Genome Center e professor de genética em Columbia, as micróglias são fundamentais para manter o equilíbrio do cérebro.
“Quando essas células não conseguem mais cumprir seus papéis de manutenção, materiais tóxicos se acumulam e podem desencadear processos inflamatórios que contribuem para doenças neurodegenerativas”, disse.
Outros sistemas afetados
Além das micróglias, os pesquisadores detectaram declínio nas populações celulares que ajudam a manter a barreira hematoencefálica, a fronteira que controla o que pode passar da corrente sanguínea para o interior do cérebro.
Quando essa barreira enfraquece, substâncias potencialmente prejudiciais ganham mais acesso ao tecido cerebral. Os pesquisadores também identificaram mudanças generalizadas na organização tridimensional do genoma em muitos tipos de células cerebrais, o que afeta como os genes são regulados e expressos.
O conjunto dessas descobertas sugere que o envelhecimento cerebral não é um declínio simples e gradual, mas um processo ativo de remodelagem biológica coordenada, com o período dos 50 aos 75 anos como um ponto de inflexão importante.
Os resultados ainda não determinam se e quanto essas mudanças causam declínio cognitivo ou se são correlatas do envelhecimento normal, entretanto, saber que o processo existe e quando começa, porém, já abre possibilidades para intervenções que visem retardar ou atenuar essas transformações.





