Uma sessão de 20 minutos de exercício aeróbico pode ajudar a preservar parte da memória de quem passa a noite inteira sem dormir, segundo um estudo publicado em 7 de agosto na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), dos Estados Unidos.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade McGill, no Canadá.
Como foi o experimento
Mais de 50 adultos jovens e saudáveis permaneceram acordados por 30 horas seguidas em ambiente controlado de laboratório. Depois desse período, os participantes foram divididos em três grupos: um pedalou por 20 minutos em intensidade moderada a alta, outro dormiu por 90 minutos e o terceiro ficou sentado em uma bicicleta ergométrica sem se exercitar, servindo como referência de comparação.
Na sequência, todos viram uma série de imagens sem receber instrução para memorizá-las. Três dias depois, passaram por um teste para avaliar quantas conseguiam reconhecer.
Os grupos que se exercitaram e que dormiram apresentaram desempenho semelhante no teste de memória, superior ao do grupo de controle. A diferença apareceu no exame de atividade cerebral por eletroencefalografia.
No grupo que dormiu, os sinais associados ao cansaço diminuíram, sugerindo recuperação parcial do sono perdido. Já no grupo que se exercitou, esses sinais permaneceram tão elevados quanto no grupo de controle, mesmo com a memória preservada, o que indica que o exercício atuou por um caminho diferente do sono para proteger essa função cognitiva.
Recurso pontual, não substituto do sono
Segundo Marc Roig, um dos autores da pesquisa, a privação de sono compromete diversas funções cognitivas, e nem sempre é possível repor esse prejuízo apenas descansando, o que reforça o exercício como alternativa em situações pontuais.
A primeira autora do estudo, Madhura Lotlikar, destacou o baixo custo e a facilidade de aplicar a estratégia quando não há tempo disponível para dormir. Os próprios pesquisadores alertam que os participantes eram jovens sem doenças, avaliados após um único episódio de privação total de sono, e que o estudo não testou pessoas idosas, com transtornos do sono ou submetidas à privação parcial e repetida, como dormir poucas horas por várias noites seguidas.
Por isso, nenhuma das duas estratégias testadas substitui uma noite de sono adequada, e a prática de exercício não deve servir de justificativa para reduzir as horas de descanso com frequência.





