Alimentos vendidos como saudáveis, mas que passam por processamento industrial intenso, estão entre os principais vilões da saúde cerebral, segundo neurologistas ouvidos pela revista americana Parade.
Barras de cereal, barras de granola, iogurtes saborizados e smoothies industrializados costumam esconder quantidades elevadas de açúcar e adoçantes artificiais atrás de embalagens que destacam apenas os pontos positivos.
Rótulo saudável nem sempre garante isso
O neurologista William Scott Burgin afirmou à publicação que mesmo consumidores atentos à alimentação podem ser induzidos a escolher produtos tão prejudiciais ao cérebro quanto doces vendidos no caixa do supermercado.
Segundo ele, nem todo alimento ultraprocessado tem esse efeito: cereais integrais fortificados, iogurte natural e pães à base de grãos integram essa categoria industrial, mas costumam ter perfil nutricional neutro ou até favorável. Burgin recomenda checar a lista de ingredientes e a tabela nutricional antes de decidir se um produto é indicado para o dia a dia, com atenção especial ao teor de açúcar adicionado e de sódio.
Um estudo do Massachusetts General Hospital, ligado a Harvard, acompanhou 30.239 pessoas com 45 anos ou mais por 11 anos e encontrou relação entre o aumento de 10% na proporção de ultraprocessados na dieta e um risco 16% maior de comprometimento cognitivo no futuro, resultado publicado na revista Neurology, da Academia Americana de Neurologia.
No Brasil, uma análise com 10.775 participantes do estudo ELSA-Brasil, publicada na JAMA Neurology, associou o consumo de ultraprocessados acima de 20% das calorias diárias a um declínio 28% mais rápido na cognição geral e 25% mais rápido na função executiva.
Alimentos associados à proteção da memória
Em entrevista ao portal Saúde em Dia, o neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, integrante da Society for Neuro-Oncology Latin America, apontou o ômega-3 como um dos nutrientes mais relevantes para a saúde cerebral.
Presente em peixes como salmão e atum e também nas nozes, o composto participa da comunicação entre neurotransmissores ligados à memória e à concentração.
Batistella também citou a beterraba, rica em nitratos relacionados à circulação sanguínea, além de folhas verde-escuras como brócolis, espinafre, agrião e chicória, fontes de vitamina K e ácido fólico. Além disso, é saudável encontrar um profissional na área da saúde para cada tipo de caso.





