Um processo envolvendo a falência da Posco Engenharia e Construção do Brasil voltou aos noticiários devido a uma possível tentativa de suborno de representantes de empresa coreana, que, conforme publicado pelo Diário do Nordeste, estão sendo acusados de oferecer R$ 1,5 milhão para uma ex-funcionária não depor contra a companhia. Mas afinal, o que essa profissional teria a dizer? Continue a leitura e entenda toda a situação!
Quem é a ex-funcionária?
A mulher trabalhou na Posco Brasil entre 2014 e 2025 e ocupou uma função próxima à presidência da empresa. Além das atividades administrativas, ela também atuava como intérprete em situações que envolviam a subsidiária brasileira e executivos da matriz na Coreia do Sul.
Essa posição é considerada relevante para o processo porque, segundo a petição apresentada à Justiça, a profissional teria acompanhado discussões e movimentações internas relacionadas à operação brasileira. Ela também aparece como credora da empresa, ou seja, possui valores a receber no processo de falência.
O nome da testemunha não foi divulgado. O advogado que apresentou a denúncia também optou por não revelar sua identidade, alegando preocupação com a segurança dos envolvidos. Até o momento, ela ainda não prestou depoimento no processo.
O que ela poderia revelar?
A importância do depoimento está relacionada ao chamado Incidente de Desconsideração da Personalidade Jurídica, conhecido pela sigla IDPJ. Esse procedimento busca verificar se a separação entre a empresa brasileira e seus controladores estrangeiros pode ser afastada para permitir que determinadas responsabilidades sejam atribuídas também às empresas do grupo.
De acordo com a petição, a ex-funcionária teria conhecimento sobre ordens recebidas da Coreia do Sul, transferências de recursos, movimentações financeiras e decisões envolvendo a operação brasileira.
O ponto central é que essas informações poderiam ajudar os credores a sustentar a existência de uma participação direta da estrutura internacional da Posco nas decisões tomadas pela subsidiária no Brasil. Dessa forma, o depoimento teria potencial para contribuir com a discussão sobre quem deve responder pelas dívidas deixadas pela empresa brasileira.
Como a Posco Brasil chegou à falência?
A Posco Engenharia e Construção do Brasil foi criada em 2011 pela Posco Engineering & Construction para participar da construção da Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará.
Depois da conclusão do empreendimento, a empresa acumulou problemas financeiros e deixou dívidas com trabalhadores, fornecedores e órgãos públicos. Em setembro de 2025, a subsidiária brasileira entrou em processo de falência declarando aproximadamente R$ 644 milhões em débitos.
Os credores, entretanto, contestam esse valor. A Associação Internacional dos Credores da Posco estima que o passivo possa chegar a cerca de R$ 1,1 bilhão, considerando obrigações que, segundo a entidade, não teriam sido incluídas na relação apresentada pela empresa.
O patrimônio da empresa também é questionado
Outro ponto que aumentou a complexidade do processo está no patrimônio declarado pela Posco Brasil. Conforme os documentos citados pelo Diário do Nordeste, a empresa informou possuir apenas cerca de R$ 11 mil disponíveis para o pagamento dos credores, além de outros bens, como um terreno na região do Pecém e um automóvel.
O problema é que esse patrimônio não seria suficiente para cobrir sequer uma parcela significativa das dívidas apontadas no processo. Por isso, os credores tentam avançar sobre a estrutura empresarial do grupo e verificar se a controladora estrangeira pode ser responsabilizada pelos débitos.
É nesse contexto que o depoimento da ex-funcionária ganhou importância. Se as informações atribuídas a ela forem confirmadas e demonstrarem participação direta da matriz nas decisões da subsidiária, elas podem reforçar uma das principais teses dos credores: a de que a empresa brasileira não atuava de maneira totalmente independente.
Justiça já identificou indícios de influência da matriz
A discussão avançou em setembro. Conforme informações da revista Veja, o juiz Daniel Carvalho Carneiro, da 3ª Vara Empresarial, de Recuperação de Empresas e de Falências do Ceará, determinou a inclusão da Posco Holdings, controladora global do grupo, no polo passivo do incidente que analisa a responsabilidade pela situação da subsidiária brasileira.
Segundo a decisão, documentos apresentados no processo apontam indícios de que a operação brasileira recebia orientações da estrutura superior do grupo, inclusive em assuntos financeiros e administrativos. A decisão também menciona informações encaminhadas pela operação brasileira à holding e diretrizes corporativas emitidas pela matriz.
Isso não significa que a Posco Holdings já tenha sido condenada a pagar as dívidas da subsidiária. A inclusão no processo permite que a questão seja investigada e discutida durante a instrução do incidente. A eventual responsabilidade patrimonial ainda depende das conclusões da Justiça.
Ministério Público deve analisar o caso
Além da discussão empresarial, o episódio envolvendo a testemunha pode ter consequências na esfera criminal. O juiz determinou o encaminhamento dos autos ao Ministério Público do Ceará para avaliar a necessidade de abertura de investigação e outras providências.
A petição cita possíveis crimes relacionados à tentativa de influenciar o depoimento de uma testemunha e a favorecimento de credor. Caso as condutas sejam comprovadas e enquadradas nesses dispositivos legais, podem existir consequências penais e aplicação de multa.
Até o momento, portanto, a questão permanece em fase de apuração. A ex-funcionária ainda não prestou depoimento, e não há data informada para a audiência.





