Há vinte anos, numa noite de setembro em Saitama, no Japão, a Seleção Espanhola de basquete derrotava a Grécia por 70 a 47 e conquistava, pela primeira vez em sua história, o título de campeã mundial. Nove vitórias em nove jogos.
Apesar da campanha considerada impecável, de acordo com Jorge Garbajosa, hoje presidente da Federação Internacional de Basquetebol (FIBA) Europa, e então ala-pivô do elenco, o verdadeiro segredo daquele título não estava no placar.
Segundo o dirigente, o segredo daquela vitória estava numa sala de hotel, entre risadas e brincadeiras que, segundo ele, “não podem ser contadas”.
Uma lesão que virou combustível para a vitória
Na época, o capitão e principal estrela do time, Pau Gasol, havia fraturado o quinto metatarso do pé esquerdo na semifinal contra a Argentina. No entanto, em meio às preocupações do time, Álex Mumbrú tomou a palavra: “Este time, se compete e se ganha, é a partir da risada”, e depois da provocação de Álex, o elenco respondeu à altura.
“Começamos com as piadas de jogar o Pau no elevador e 1.500 coisas mais que não se pode contar, que aconteceram numa sala. E, de repente, o time foi para a cama rindo. E quando este time se levanta rindo, o rival tem um problema”, recorda Garbajosa.
O resultado disso foi uma final em que o time exibiu uma defesa sem igual. A Grécia, campeã europeia vigente, foi desmontada. E Pau Gasol, sem pisar na quadra na decisão, foi eleito o Jogador Mais Valioso (MVP) do torneio.
O antes e o depois
De acordo com analistas, a vitória dos espanhóis virou um marco na história do basquete, pois a geração de 2006 quebrou uma barreira mental que assombrava os esportes de equipe do país: a maldição das quartas de final.
“Demonstramos que era uma barreira mental e não física, que se nos propuséssemos podíamos ganhar de qualquer um”, afirma Garbajosa.
Para Garbajosa, o time era quase uma família e aquele momento concretizou isso, pois foi naquela partida que ele viu que o segredo para aquela vitória não foi superioridade técnica, e sim a convivência, amizade e camaradagem entre os parceiros de time.
Garbajosa, hoje aos 48 anos, carrega a memória daquele título com a mesma intensidade de quem viveu ontem.
“Pensar que alguém tem nosso Mundial na mesma altura que eu tenho aquilo de Los Angeles 84, isso me dá arrepios. Ter tido a possibilidade de gerar uma lembrança assim é muito bonito. As pessoas nunca vão esquecer”, declarou.





