Se você faz uso do Ozempic ou de outros medicamentos à base de semaglutida, talvez já tenha ouvido falar sobre o chamado “bafo de Ozempic”. A expressão ganhou força nas redes sociais após alguns usuários relatarem mudanças no hálito e outros problemas relacionados à saúde bucal. Mas será que o medicamento realmente gera mau hálito? Especialistas entrevistados pela revista Veja responderam a essa questão.
Na verdade, o que acontece é que o Ozempic pode desencadear alterações no organismo que favorecem o quadro de mau hálito. Isso ocorre porque a semaglutida, princípio ativo presente no Ozempic, interfere no funcionamento do sistema digestivo para aumentar a sensação de saciedade e retardar o esvaziamento do estômago. Como consequência, alguns pacientes desenvolvem efeitos colaterais como boca seca e refluxo, fatores que podem alterar o equilíbrio natural da cavidade oral e favorecer o surgimento da halitose.
Como o medicamento pode afetar a saúde bucal
Embora ainda não existam estudos que comprovem uma relação direta entre a semaglutida e o chamado “bafo de Ozempic”, há evidências bem estabelecidas de que a redução da saliva aumenta o risco de problemas bucais. A saliva exerce um papel importante na limpeza natural da boca, ajudando a controlar bactérias, neutralizar ácidos e remover resíduos de alimentos.
Quando sua produção diminui, microrganismos responsáveis pelo mau cheiro conseguem se multiplicar com mais facilidade. Além do hálito desagradável, esse ambiente também pode favorecer sensibilidade dentária, erosão do esmalte e maior propensão ao desenvolvimento de cáries.
Outro fator observado em alguns pacientes é o refluxo gastroesofágico. Como o alimento permanece mais tempo no estômago durante o tratamento, aumenta a possibilidade de o conteúdo ácido retornar ao esôfago e alcançar a boca. Esse ácido desgasta a superfície dos dentes e também contribui para alterações no hálito.
O problema exige interromper o tratamento?
Na maioria dos casos, não. O aparecimento desses sintomas não significa, por si só, que o paciente precise suspender o uso do medicamento. A recomendação é informar o médico responsável e também buscar acompanhamento odontológico caso os incômodos persistam.
Na prática, algumas medidas simples ajudam a reduzir os efeitos. Manter uma boa hidratação, escovar corretamente os dentes e a língua, utilizar fio dental diariamente e realizar consultas periódicas ao dentista contribuem para preservar a saúde bucal durante o tratamento. Dependendo da intensidade da boca seca, o profissional ainda pode indicar produtos específicos para estimular ou substituir a saliva.
Vale destacar que a expressão “boca de Ozempic”, popularizada nas redes sociais, não representa um diagnóstico médico. Ela reúne diferentes manifestações que podem surgir em alguns usuários das canetas emagrecedoras, mas que estão relacionadas aos efeitos indiretos do medicamento sobre o organismo e não a uma ação direta nos dentes ou na boca.





