No início desta semana, o Corinthians divulgou uma nota oficial afirmando que o clube havia decidido não renovar o contrato com o jogador Memphis Depay. A situação gerou grande repercussão e revolta por parte da torcida. Isso porque, pelo que tudo indicava, as partes já haviam chegado a um consenso sobre salários e outras questões contratuais. Diante de toda pressão externa e a possibilidade de o Timão sofrer com a necessidade de pagar R$ 180 milhões ao atleta, o Alvinegro pode negociar com o holandês para que ele continue na equipe. As informações foram dadas pelo Meu Timão.
Pressão aumenta sobre a diretoria
A decisão de não renovar com Memphis provocou uma reação forte entre os torcedores e também passou a gerar questionamentos dentro do ambiente empresarial do clube. De acordo com o Meu Timão, patrocinadores do Corinthians consideram o atacante um nome importante para a exposição de suas marcas.
Entre as empresas citadas estão a Ezze Seguros, que teria esfriado conversas relacionadas a uma renovação contratual, e a Esportes da Sorte, atual patrocinadora máster do clube. A pressão, portanto, deixou de estar restrita à torcida e passou a envolver também parceiros comerciais do Alvinegro.
A repercussão nas redes sociais também aumentou a pressão sobre o presidente Osmar Stabile. Em um período de pouco mais 24 horas depois da publicação que anunciou a decisão, o comunicado já havia recebido mais de 160 mil comentários no Instagram, com a maior parte contrária à saída do holandês.
Possível parceiro pode ajudar a bancar Memphis
Um dos principais elementos que podem mudar o cenário envolve uma proposta apresentada pela Fatal Fans, patrocinadora do Corinthians. A empresa ofereceu um aditivo de R$ 5 milhões ao contrato existente com o clube, com a condição de que o dinheiro seja utilizado exclusivamente para ajudar a custear a permanência de Memphis.
Na prática, a proposta elevaria o valor do vínculo da patrocinadora com o Corinthians de R$ 22 milhões para R$ 27 milhões. Dessa forma, o clube teria uma fonte adicional de recursos justamente para reduzir o impacto financeiro da manutenção do atacante no elenco.
Esse movimento é relevante porque a discussão sobre Memphis não envolve apenas o valor do salário. O Corinthians precisa avaliar o custo total de um novo contrato e, ao mesmo tempo, os possíveis prejuízos decorrentes do encerramento do acordo que estava em negociação.
Corinthians pode ter prejuízo de R$ 180 milhões
A parte financeira é um dos principais motivos para o clube considerar uma mudança de postura. Segundo o ge, existe a possibilidade de Memphis cobrar aproximadamente R$ 180 milhões do Corinthians pela revogação da extensão contratual.
Seriam os R$ 77 milhçoes da dívida com juros em relação aos bôbus e premiações que o atleta não recebeu, mais aproximadamente de US$ 20 milhões (algo em torno de R$ 103 milhões) referentes ao acordo do contrato de renovação que não contou com a assinatura do presidente Osmar Stabile.
Apesar da não assinatura, trocas de e-mail e documentos por aplicativos de mensagens podem ser utilizados como prova de que clube e atleta haviam firmado um acordo.
Isso significa que, diante desse cenário, manter o jogador poderia representar uma alternativa financeiramente menos pesada do que romper completamente com o acordo que vinha sendo construído. A renovação, além disso, havia sido estruturada com concessões do próprio atleta.
O holandês teria aceitado reduzir seus vencimentos para permanecer no clube e também concordado em renegociar uma dívida superior a R$ 40 milhões, relacionada a bônus individuais e premiações coletivas. O novo vínculo seria válido até meados de 2028.
Ou seja, a negociação não estava apenas avançada em relação ao prazo do contrato. Memphis também havia aceitado mudanças que poderiam diminuir o impacto financeiro da permanência para o Corinthians.
Memphis ficou decepcionado com a decisão
Um obstáculo para uma retomada das conversas está na reação do próprio jogador. Depois de o Corinthians anunciar que não seguiria com a renovação, Memphis utilizou as redes sociais para demonstrar insatisfação com a postura da diretoria.
O atacante afirmou ter ficado muito decepcionado e classificou a situação como uma quebra de compromisso. Segundo o relato apresentado pelo jogador, o presidente Osmar Stabile e os departamentos financeiro e jurídico do clube haviam concordado anteriormente com os termos de um novo contrato por mais duas temporadas.
A situação cria, portanto, uma dificuldade adicional. Mesmo que o Corinthians decida retomar as negociações, será necessário reconstruir a confiança entre as partes depois da decisão de interromper um acordo que, segundo os relatos, estava próximo de ser oficializado.
Depay já havia voltado ao Brasil para negociar
A negociação entre Corinthians e Memphis avançou nos primeiros dias de agosto. O jogador estava de férias em Ibiza, na Espanha, mas retornou ao Brasil na última semana para tratar diretamente da situação contratual.
Nesse período, as partes chegaram a um entendimento sobre pontos importantes do novo vínculo. Memphis aceitou diminuir os vencimentos e também fez concessões relacionadas aos valores que o clube ainda teria de pagar referentes ao contrato anterior.
A interrupção das tratativas ocorreu justamente depois desse avanço. Por isso, uma eventual retomada não começaria do zero: Corinthians e jogador já haviam discutido praticamente todos os principais pontos de uma extensão até 2028.
O que pode acontecer agora
A possibilidade de Memphis voltar ao Corinthians existe, mas ainda não representa um acordo. O clube precisa avaliar a proposta da Fatal Fans, o impacto financeiro de uma eventual disputa judicial e a disposição do próprio jogador para retornar à mesa de negociação.
O cenário também pode exigir novas condições. Depois de ter sido informado de que o Corinthians não pretendia seguir com a renovação, Memphis pode não aceitar simplesmente os mesmos termos que estavam alinhados anteriormente.
Dessa forma, a possível permanência do holandês passou a depender de uma combinação de fatores: pressão da torcida, interesse de patrocinadores, custo de uma eventual cobrança de R$ 180 milhões e a existência de uma proposta capaz de ajudar o clube a financiar o novo contrato.
Enquanto essa situação não é definida, o Corinthians precisa administrar também o impacto esportivo da saída. O clube tem compromisso nesta quinta-feira, contra o Rosario Central, da Argentina, pelas oitavas de final da Libertadores, e a comissão técnica trabalha para manter o elenco concentrado na competição.





