A Arábia Saudita enfrenta uma nova ameaça às suas exportações de petróleo após o fechamento do oleoduto Este-Oeste, que transporta petróleo em direção ao Mar Vermelho e evita o estreito de Ormuz.
O duto foi fechado na última sexta-feira (11) após ataques com drones e tem capacidade de movimentar cerca de 4 milhões de barris diários para o porto de Yanbu, volume que corresponde a aproximadamente 4% do suprimento mundial.
Um oleoduto fechado na Arábia Saudita ameaça o transporte de até 4% do petróleo mundial
As autoridades sauditas ainda não divulgaram detalhes completos sobre o alcance dos danos nem prazos para a normalização das operações.
Fontes do setor apontam cenários distintos.
Algumas indicam que as reparações podem levar entre cinco e seis semanas, enquanto outras sugerem que o oleoduto poderia retomar o funcionamento antes, inclusive de forma parcial, enquanto os trabalhos prosseguem.
Os estoques disponíveis em Yanbu permitiriam manter os embarques por aproximadamente 5 a 7 dias sem novos fluxos através do oleoduto Este-Oeste, conforme indicado por fontes familiarizadas com as exportações sauditas.
A Arábia Saudita também conta com reservas nos portos egípcios de Ain Sukhna, no Mar Vermelho, e Sidi Kerir, no Mediterrâneo, que poderiam abastecer clientes por alguns dias adicionais.
O setor estima que Yanbu tem capacidade de armazenamento de 35 milhões de barris, enquanto Ain Sukhna pode guardar cerca de 18 milhões e Sidi Kerir outros 20 milhões.
Porém, essas instalações não estão completamente cheias, e se o oleoduto não retomar as operações, os estoques se esgotarão e a pressão sobre as exportações sauditas voltará a aumentar.
Produção em seu nível mais baixo em décadas
O fechamento ocorre em momento crítico para o suprimento petrolífero saudita.
A Agência Internacional de Energia informou que a oferta da Arábia Saudita caiu em agosto ao patamar mais baixo em mais de três décadas devido à redução nos fluxos por Ormuz e Mar Vermelho.
A instituição prevê que o suprimento mundial de petróleo diminua este ano em 5,7 milhões de barris diários, o equivalente a cerca de 6%.
Antes da guerra, o Oriente Médio contribuía com aproximadamente 22 milhões de barris diários para o mercado global.
Desde então, os fluxos pelo estreito de Ormuz caíram para uma faixa entre 6 milhões e 9 milhões de barris diários, conforme fontes do setor.
A Arábia Saudita informou à OPEP que sua produção caiu para 6,2 milhões de barris diários em agosto, ante 10,9 milhões em fevereiro, antes do conflito.





