Pesquisadores do Instituto Wyss de Harvard, da Harvard Medical School e da Stanford Doerr School of Sustainability modificaram geneticamente uma bactéria marinha para acelerar em 2,6 vezes um processo natural que retira dióxido de carbono do ar.
O organismo, batizado Alteromonas macleodii, foi alterado para potencializar o desgaste natural de rochas, fenômeno que, embora conhecido, é lento demais para ajudar de forma significativa no combate à mudança climática no ritmo atual.
Ferrugem trava o processo natural que capturaria mais carbono
O processo em questão começa quando minerais de silicato, como a olivina, se dissolvem em contato com água, ar e atividade biológica no oceano. Ao se decompor, a rocha libera magnésio, ferro e silicato, enquanto o CO2 dissolvido na água se transforma em bicarbonato, forma química capaz de permanecer estável na água por longos períodos, sem voltar à atmosfera.
O problema está justamente no ferro liberado nesse processo: ao entrar em contato com o oxigênio, ele oxida e forma uma camada semelhante a ferrugem sobre a superfície do mineral, o que trava o contato entre a rocha e a água e reduz a velocidade de todo o processo.
Algumas bactérias já produzem naturalmente moléculas chamadas sideróforos, capazes de se ligar ao ferro oxidado e torná-lo solúvel novamente, o que remove a camada de ferrugem e permite que o desgaste da rocha continue em ritmo mais acelerado.
O detalhe é que bactérias comuns param de produzir essas moléculas assim que já obtiveram ferro suficiente para o próprio crescimento, interrompendo o processo antes do tempo.
Testes em biorreatores mostraram resultado consistente
Foi justamente esse comportamento que a equipe de Harvard modificou geneticamente na Alteromonas macleodii, fazendo com que a bactéria continuasse produzindo sideróforos além da própria necessidade nutricional.
Em testes conduzidos em biorreatores personalizados, com água do mar e a bactéria modificada circulando continuamente sobre o mineral, os pesquisadores conseguiram medir o desgaste da rocha em condições controladas e constataram o aumento de 2,6 vezes na velocidade do processo, com a consequente maior captura de dióxido de carbono da atmosfera.





