A Carsa S.A., empresa proprietária da rede de lojas Musimundo, na Argentina, foi declarada em quiebra (falência) pelo Juzgado Civil y Comercial Nº 23 (Tribunal Cível e Comercial nº 23) na última quinta-feira (03).
A decisão encerrou um processo de concurso preventivo de credores que a companhia havia iniciado, após o tribunal concluir que a recuperação financeira era inviável.
A trajetória da Carsa começou nos anos 90 como negócio de comercialização de discos e casetes, evoluindo até se tornar uma das maiores redes de varejo de eletrodomésticos da Argentina.
A quiebra marca o fim dessa história de mais de três décadas no mercado.
Uma das marcas mais conhecidas de país fecha 20 lojas antes de entrar em falência
Os registros da Central de Devedores do Banco Central da Nação Argentina apontam que Carsa acumulava uma dívida estimada de US$2.242 milhões com instituições financeiras.
O Banco Nación era o maior credor, com US$1.404,6 milhões em débitos; o Banco Macro seguia com US$326,8 milhões; o Banco de Comercio com US$298,9 milhões; e o Nuevo Banco del Chaco com US$205 milhões.
A situação da empresa estava classificada em nível 4 pela instituição Central, categoria que o Banco considera como “risco alto”.
Esse status refletia atrasos de 180 dias acumulados no último ano, indicando uma deterioração progressiva da saúde financeira.
Esta semana, a Musimundo anunciou o fechamento de 20 sucursais localizadas em diferentes pontos da Argentina, incluindo cidades em Chaco, Misiones e Corrientes.
A medida deixou pelo menos 100 trabalhadores sem emprego e gerou desconforto entre os funcionários afetados.
Gerentes haviam comunicado aos colaboradores que passariam a trabalhar em uma empresa compradora de Musimundo e que conservariam sua antiguidade.
Porém, a promessa não se concretizou: os funcionários foram informados de que a venda não ocorreria e que também não receberiam os salários de agosto já trabalhados.
Contexto de crise econômica no país
O colapso da Musimundo insere-se num cenário mais amplo de encerramentos de empresas que atravessa a Argentina há meses.
A Asamblea de Pequeños y Medianos Empresarios (APYME) da Região Rosario registrou um aumento significativo de quiebras e fechamentos de negócios grandes e pequenos na região.
Só no último ano, mais de 2.000 processos de quiebra foram abertos nos tribunais civis de Santa Fe, refletindo a severa retração do consumo e a subida contínua de preços que afetam as famílias argentinas.
A falência de uma marca tão reconhecida amplifica essa crise que o país enfrenta.





