Uma fratura geológica de mais de 5 mil quilômetros atravessa o leste do continente africano e, segundo cientistas, pode dar origem a um sexto oceano no planeta daqui a milhões de anos.
Conhecida como Sistema de Rift da África Oriental, a fenda separa lentamente a placa Núbia, que ocupa a maior parte do continente, da placa Somali, menor, que se desloca em direção ao leste.

Processo começou há 30 milhões de anos na região de Afar
A fratura teve origem na região de Afar, no norte da Etiópia, há cerca de 30 milhões de anos, e desde então avança em direção ao sul, rumo ao Zimbábue, a uma velocidade média de 2,5 a 5 centímetros por ano.
O afastamento entre as placas cria vales profundos, penhascos, atividade vulcânica intensa e alguns dos Grandes Lagos africanos, como o Tanganica e o Malaui, formados justamente ao longo dessas falhas tectônicas.
Em Afar, o processo de ruptura já está mais avançado do que em qualquer outro ponto do sistema: a crosta terrestre se afinou tanto que o magma já flui livremente até a superfície, cobrindo o solo com rocha vulcânica.
Segundo pesquisadores, é o único lugar do planeta onde se pode observar, em tempo real, a transição de uma fenda continental para uma fenda oceânica.

Zona atravessa oito países e já provoca deslocamentos
O sistema de fraturas passa por Etiópia, Quênia, Tanzânia, Uganda, Ruanda, Malaui e Moçambique, entre outros países da região. Sinais recentes de atividade já preocupam moradores locais: em 2018, fortes chuvas abriram uma rachadura no Vale do Rift queniano que obrigou famílias a deixar suas casas, e a região segue registrando novas fissuras e tremores de terra ao longo dos anos.
Um estudo publicado no ano passado associa parte do aumento recente da atividade geológica a uma grande pluma de rocha superaquecida vinda do núcleo do planeta, que estaria intensificando o processo.
Apesar da escala impressionante da fratura, cientistas calculam que a separação completa do continente ainda está a pelo menos alguns milhões de anos de distância. Quando isso acontecer, países como Somália, parte da Etiópia, Quênia e Tanzânia devem se desprender do restante da África e formar um novo continente, isolado por um oceano ainda inexistente hoje no mapa.





