Cientistas da Universidade de Tóquio e do Instituto de Ciências de Tóquio desenvolveram um algoritmo capaz de identificar hipertensão e diabetes a partir de vídeos faciais de apenas alguns segundos.
O sistema usa uma câmera espectroscópica para capturar dados sobre a rigidez das artérias, o fluxo sanguíneo da pele e a coloração da pele.
Um modelo de aprendizado de máquina processa esses dados e identifica padrões invisíveis ao olho humano.
A pesquisa foi apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologistas, encerrado em 31 de agosto de 2026.
Uma gravação do rosto pode revelar sinais de hipertensão e diabetes, segundo estudo
Ryoko Uchida, que apresentou o trabalho, disse que o objetivo era desenvolver um algoritmo de inteligência artificial capaz de fazer triagem sem contato em ambientes cotidianos e detectar essas condições comuns mais cedo e em larga escala.
Os pesquisadores testaram o sistema em 215 participantes, alguns diagnosticados com as doenças, outros saudáveis.
Nos testes de hipertensão, o sistema atingiu 93% de precisão com gravações de 30 segundos e 90,3% com apenas 5 segundos de vídeo.
Na detecção de pressão arterial normal, o acerto foi de 100,0%, enquanto a capacidade de reconhecer hipertensão chegou a 89,2%.
Para diabetes, o desempenho foi um pouco menor: 88,2% de precisão com 30 segundos e 81,2% com vídeos mais curtos.
O único ponto fraco encontrado foi um erro médio de 8,6% na medição da pressão sistólica, o valor superior que indica a força do sangue contra as artérias durante a contração cardíaca.
Os pesquisadores trabalham agora para reduzir esse erro antes de concluir a validação do sistema.
Impacto potencial para diagnóstico no Brasil
A ausência de contato físico e a rapidez tornam a tecnologia viável fora dos hospitais, inclusive entre populações que enfrentam dificuldade para acessar a triagem convencional.
Especialistas dizem que a detecção precoce dessas condições permite iniciar mais cedo o tratamento e as mudanças no estilo de vida, o que ajuda a prevenir ataques cardíacos, derrames, outras doenças cardiovasculares e comorbidades relacionadas.
No Brasil, mais de 13 milhões de pessoas convivem com diabetes, e 388 pessoas morrem diariamente por complicações da hipertensão, segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Diabetes.
A rapidez do diagnóstico é crucial: quanto antes a doença é identificada e tratada, menor o risco de morte e de sequelas permanentes para o paciente.
Por combinar rapidez, facilidade de uso e ausência de contato, o sistema pode ampliar o alcance da triagem para além dos métodos tradicionais.
Assim, mudanças no tratamento e no estilo de vida podem começar quando ainda há tempo de prevenir as maiores complicações cardiovasculares.





