O uso das chamadas “canetas para emagrecer” se popularizou rapidamente — mas o que acontece depois que o tratamento é interrompido tem preocupado especialistas. Um dado recente chama atenção: cerca de 45% das pessoas conseguem manter o peso após parar o uso, enquanto a maioria enfrenta dificuldades para sustentar os resultados.
As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo, com base em estudos e análises médicas sobre medicamentos como semaglutida e tirzepatida.
O que acontece após parar as canetas para emagrecer
Na prática, o cenário é mais complexo do que parece. Esses medicamentos atuam reduzindo o apetite e aumentando a saciedade. Quando o uso é interrompido, esse efeito desaparece — e o corpo volta ao funcionamento anterior.
Estudos indicam que parte significativa do peso perdido pode retornar. Em média, pacientes recuperam até 60% do peso em um ano. Ainda assim, uma parcela — cerca de 45% — consegue manter o resultado, principalmente quando há mudança consistente no estilo de vida.
Segundo o endocrinologista João Salles, ouvido por O Globo, a obesidade deve ser tratada como uma condição crônica.
“São medicamentos de uso contínuo, assim como a obesidade é uma doença crônica e recidiva”, afirma o especialista.
Isso significa que, para muitos pacientes, interromper o tratamento pode levar ao chamado “efeito rebote”: a fome retorna, o metabolismo se adapta e o ganho de peso se torna mais provável.
Outro ponto de atenção é o chamado efeito sanfona. O uso intermitente — parar e voltar com o medicamento — pode dificultar ainda mais o emagrecimento no longo prazo, além de impactar negativamente o metabolismo.
Por outro lado, quem consegue manter dieta equilibrada e rotina de exercícios tem mais chances de preservar os resultados, mesmo sem o uso contínuo.





