A possível extinção da escala de trabalho 6×1 tem sido vista por muitos trabalhadores como um avanço na qualidade de vida. No entanto, representantes do setor supermercadista alertam que a mudança pode trazer reflexos diretos para os consumidores, especialmente nos preços dos produtos vendidos nos mercados.
Em entrevista à CNN Brasil, Erlon Ortega, diretor da Associação Paulista de Supermercados (Apas), afirmou que uma eventual redução da jornada de trabalho sem mecanismos de compensação poderá aumentar os custos das empresas e pressionar o valor final dos produtos nas prateleiras.
Possível impacto pode chegar às compras do dia a dia
Segundo o representante da entidade, o setor já enfrenta um cenário de escassez de mão de obra. Apenas no estado de São Paulo, os supermercados acumulam um déficit estimado de 35 mil trabalhadores. Com menos horas disponíveis por funcionário, as empresas precisariam ampliar as contratações para manter o mesmo nível de operação.
A preocupação ganha relevância porque supermercados estão entre os estabelecimentos que funcionam durante longos períodos, inclusive aos finais de semana e feriados, exigindo equipes numerosas para atender à demanda dos consumidores.
De acordo com Ortega, cálculos realizados pelo setor apontam que uma eventual redução da jornada poderia elevar os custos operacionais entre 9% e 10%. Caso isso ocorra, parte desse aumento poderia ser repassada aos preços de alimentos, bebidas, produtos de higiene e itens de consumo diário.
A preocupação não se limita ao varejo alimentar. Segmentos como restaurantes, hospitais, condomínios, logística e agronegócio também acompanham o debate por dependerem de operações contínuas e escalas flexíveis de trabalho.
Apesar das críticas à proposta, representantes do setor afirmam que existem alternativas capazes de ampliar os dias de descanso dos trabalhadores sem gerar impactos tão significativos. Um dos modelos defendidos é a escala 5×2 com manutenção das atuais 44 horas semanais.





