Quem apostou nos primeiros carros elétricos e híbridos vendidos em larga escala no Brasil está enfrentando uma realidade difícil no mercado de usados. Levantamento com base na Tabela Fipe mostra que alguns modelos perderam mais da metade do valor desde o lançamento, acumulando uma desvalorização muito acima da registrada por veículos convencionais.
O caso mais emblemático é o do Renault Kwid E-Tech. Lançado em 2022 por R$ 142.990, o modelo hoje é avaliado em cerca de R$ 64 mil, uma queda superior a 55%. Outro exemplo é o Nissan Leaf, pioneiro entre os elétricos no país, que passou de R$ 195.900 para aproximadamente R$ 90 mil, acumulando perda de quase 54%.
Avanço tecnológico acelerou perda de valor
A desvalorização também atingiu veículos híbridos. O Jeep Compass 4xe, lançado por R$ 349 mil, tem valor médio atual próximo de R$ 177 mil, praticamente metade do preço original.
Especialistas apontam que a rápida evolução da tecnologia é um dos principais motivos para a queda expressiva nos preços. Em poucos anos, os modelos mais antigos passaram a oferecer autonomia menor, tempos de recarga mais longos e menos recursos tecnológicos em comparação aos lançamentos recentes.
Outro fator que pressionou o mercado foi a chegada de montadoras chinesas com estratégias agressivas de preço. Marcas como BYD e GWM ampliaram a concorrência e obrigaram fabricantes tradicionais a reposicionarem seus veículos para permanecer competitivas.
O movimento afetou principalmente os primeiros modelos eletrificados vendidos no país. Entre eles estão o CAOA Chery Arrizo 5e, com desvalorização superior a 45%, e o Hyundai Ioniq Hybrid, que perdeu cerca de 43% do valor desde o lançamento.
Apesar do impacto negativo para quem comprou esses veículos novos, o cenário abre oportunidades para consumidores interessados no mercado de usados.





