A decisão da Hyundai de ampliar o uso de robôs humanoides em suas fábricas provocou uma forte reação dos funcionários na Coreia do Sul. Em votação realizada pelo sindicato da categoria, a ampla maioria dos trabalhadores aprovou uma greve para pressionar a montadora a negociar as mudanças previstas nas linhas de produção.
Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, cerca de 87% dos aproximadamente 40 mil sindicalizados votaram a favor da paralisação. O resultado autoriza o sindicato a iniciar uma greve caso as negociações com a empresa não avancem.
Sindicato teme impactos da automação sobre empregos
O principal motivo do impasse é o plano da Hyundai de incorporar o robô humanoide Atlas, desenvolvido pela Boston Dynamics, em suas operações industriais. Os representantes dos trabalhadores afirmam que a empresa precisa discutir previamente os efeitos da inteligência artificial e da automação sobre os empregos antes de implementar a tecnologia.
Ainda em janeiro, quando o projeto foi anunciado, o sindicato declarou que nenhum robô com novas tecnologias deveria entrar nas fábricas sem um acordo formal com os funcionários. A entidade teme que a substituição gradual de tarefas realizadas por pessoas provoque perdas de postos de trabalho no futuro.
A Hyundai, por outro lado, sustenta que os robôs serão destinados principalmente a atividades repetitivas, pesadas e consideradas de maior risco para os empregados.
O debate acontece em um momento delicado para a montadora. A empresa enfrenta queda na lucratividade devido ao aumento dos custos de produção, tarifas impostas pelos Estados Unidos e ao ritmo mais lento das vendas de veículos elétricos.
Apesar do clima de tensão, uma greve geral na Hyundai não ocorre desde 2018. Nos últimos anos, os conflitos trabalhistas envolvendo salários, bônus e aposentadorias terminaram em acordos antes de paralisações de grande escala. Agora, porém, o avanço da robótica humanoide coloca um novo desafio nas relações entre indústria, tecnologia e trabalhadores.





