Um novo oceano está prestes a surgir na África, e o processo pode acontecer muito mais rápido do que os cientistas imaginavam.
Até recentemente, estimava-se que a separação do continente levaria entre 5 e 10 milhões de anos, mas novas pesquisas indicam que esse período pode ser reduzido para menos de um milhão de anos, dependendo da ocorrência de grandes terremotos ou erupções vulcânicas.
Fenda de Afar: a abertura que poderá criar um novo oceano
O fenômeno acontece na região de Afar, no nordeste da Etiópia, onde três placas tectônicas – a Somaliana, a Arábica e a Africana (ou Núbia) – se encontram e pressionam uma placa menor, chamada Victoriana.
À medida que a fenda se expande, parte da placa Somaliana pode se desprender e abrir caminho para a entrada de água salgada vinda do Mar Vermelho e do Golfo de Aden. “Visualize como uma expansão do Mar Vermelho”, explica a geocientista Cynthia Ebinger, da Universidade de Tulane, referência mundial em tectônica e vulcanismo africano desde os anos 1980.
O cenário geológico da região já provocou eventos impressionantes. Em 2005, 420 terremotos sacudiram o deserto da Etiópia, abrindo uma fenda de 60 quilômetros e liberando grande volume de magma. Estudos subsequentes identificaram novas crostas balsáticas e camadas finas de solo, evidências de que o assoalho marinho da futura fenda oceânica já começa a se formar.
A pesquisa recente, publicada no periódico Tectonophysics, utilizou modelos 3D para mapear a Depressão de Afar e confirmou que processos intensos de atividade vulcânica e sísmica podem acelerar a abertura da fenda. A formação completa do oceano levar milhões de anos, mas cientistas acreditam que a etapa inicial poderá ocorrer muito antes do previsto.
Além de desvendar um evento geológico único, os modelos sísmicos desenvolvidos podem ajudar a prever catástrofes naturais e aprimorar medidas de defesa contra terremotos e erupções.





