O Chile se prepara para uma mudança significativa em sua política salarial. A partir de maio de 2025, o salário mínimo no país subirá para CLP 529.000, com um segundo reajuste previsto para CLP 539.000 em janeiro de 2026, conforme acordo firmado entre o governo e a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT). O anúncio foi confirmado pelo presidente Gabriel Boric em seu discurso anual à nação.
Chile sobe ao topo da América Latina quando ajustado pelo custo de vida
Com a atualização, o salário mínimo chileno passará a figurar entre os mais altos da América Latina quando ajustado pela paridade do poder de compra (PPC), cálculo que compara o custo de uma cesta padrão de bens entre países, equilibrando diferenças cambiais e inflacionárias.
Segundo o Observatório do Contexto Econômico da Universidade Diego Portales, o valor equivale a aproximadamente US$ 1.138 por mês, ficando atrás apenas da Costa Rica na região.
Alívio para trabalhadores, preocupação para empresários
O governo chileno e os sindicatos celebram o avanço como uma importante política de valorização, especialmente após anos de alta no custo de vida. Desde dezembro de 2021, o salário mínimo acumulou crescimento de 48,4%, superando com folga a inflação do período, de 22,5%.
Para muitos trabalhadores, o aumento representa maior capacidade de consumo e um fôlego necessário em meio a pressões econômicas. No entanto, entidades empresariais alertam para os riscos. A Confederação da Produção e do Comércio afirma que reajustes que não acompanham a produtividade podem gerar pressão inflacionária, cortes de postos de trabalho e repasse de custos ao consumidor.
Aumentos colocam Chile em posição de destaque, mas longe da OCDE
Apesar do avanço na América Latina, o país ainda está distante das maiores economias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No ranking ajustado pela PPC, o salário mínimo mais alto está no Reino Unido (US$ 3.793), seguido por Alemanha (US$ 3.727) e Irlanda (US$ 3.716).
Economistas lembram que há um desafio urgente, a produtividade chilena está estagnada. Especialistas defendem que, para sustentar aumentos salariais no longo prazo, o país precisará investir de forma mais robusta em tecnologia, infraestrutura e formação profissional.





