O regime da Venezuela revogou, nesta quinta-feira (27), o direito de operação de seis companhias aéreas internacionais, entre elas a brasileira Gol, que havia retomado a rota entre São Paulo e Caracas em agosto após quase uma década sem voos diretos.
A decisão do governo Nicolás Maduro é uma resposta ao fato de essas empresas terem suspendido os voos ao país depois de um alerta emitido pela FAA, autoridade aeronáutica dos Estados Unidos, que descreveu o sobrevoo do território venezuelano como uma “situação potencialmente perigosa” devido “à piora da situação de segurança e à atividade aumentada no país e em torno dele”.
Mobilização de Donald Trump
A mobilização norte-americana ocorre em meio à intensificação das ações militares ordenadas pelo presidente Donald Trump, que afirmou na quarta-feira (26) que pretende derrubar Maduro “da maneira fácil ou difícil”. A escalada inclui operações no Caribe lideradas pelo porta-aviões USS Gerald Ford, o maior do mundo, cujos caças têm realizado voos constantes na região escoltando bombardeiros como B-52 e B-1B.
Após o alerta da FAA, diversas empresas suspenderam seus voos. Segundo a Iata, Caracas havia dado prazo de 48 horas para retomada das operações, afirmando que a agência americana não possui jurisdição sobre o espaço aéreo venezuelano. Como as companhias mantiveram a suspensão, o governo iniciou a punição.
Empresas afetadas
Foram afetadas, além da Gol, a espanhola Iberia, a portuguesa TAP, a turca Turkish Airlines e as colombianas Avianca e Latam Colombia. Outras empresas que seguiram a recomendação da FAA também podem ser penalizadas, como Air Europa e Plus Ultra. Continuam operando no país a panamenha Copa, a low-cost colombiana Wingo e companhias locais.
A Gol operava quatro voos semanais entre Guarulhos e Caracas, às terças, quintas, sábados e domingos. A empresa ainda não respondeu sobre o impacto da medida para os passageiros. Até o momento, nos voos cancelados, havia possibilidade de remarcação, crédito ou reembolso, dependendo da tarifa.
Pressão americana
A pressão dos EUA sobre Maduro aumentou com a presença de uma força expedicionária que reúne destróieres, caças F-35 baseados em Porto Rico e até aeronaves AC-130J usadas para supressão de alvos terrestres. Mais de 80 pessoas acusadas de tráfico já foram mortas em operações na região.
Na segunda-feira, Washington classificou o Cartel de los Soles como organização terrorista, afirmando que o grupo seria liderado por Maduro e vinculado ao narcotráfico, acusação rejeitada por Caracas.
A possibilidade de uma intervenção militar ampla é considerada improvável devido ao alto custo e impacto político, mas analistas não descartam ataques pontuais contra alvos militares ou estruturas ligadas ao tráfico. Nos bastidores, pesa também a expectativa de que Maduro deixe o poder por pressão externa ou interna.
Segundo análise divulgada pela consultoria Geopolitical Futures, “está claro que os dias de Maduro estão contados”, em avaliação que afirma que os EUA já avançaram demais para recuar sem obter resultados.





