O Reino Unido deu início a um experimento inédito com 300 adolescentes para avaliar os efeitos do uso limitado de redes sociais. O projeto piloto, que dura seis semanas, surge em meio ao debate parlamentar sobre a possibilidade de banir o acesso a plataformas digitais para menores de 16 anos.
Durante o teste, os participantes, de Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, serão divididos em três grupos: um terá o uso totalmente bloqueado, simulando um banimento completo; outro enfrentará restrições parciais, como limite de uma hora diária ou bloqueio noturno; e um terceiro continuará usando redes sociais normalmente.
Estudo é etapa inicial para proibições mais rigorosas
Segundo a secretária de Tecnologia do Reino Unido, Liz Kendall, o objetivo é ouvir pais e crianças sobre uso seguro e saudável da internet, incluindo plataformas digitais, jogos e assistentes de inteligência artificial. O resultado do piloto pode determinar se o Reino Unido seguirá modelos internacionais que proíbem redes sociais para menores de 16.
Paralelamente, uma consulta pública sobre bem-estar digital recebeu quase 30 mil respostas de pais e adolescentes, cujos resultados devem orientar futuras decisões sobre regulamentação. O governo quer garantir que eventuais limites sejam baseados em evidências reais e experiências de famílias.
O teste britânico acompanha tendências internacionais. Desde dezembro de 2025, a Austrália proibiu o uso de redes sociais para menores de 16 anos, e países como França, Espanha e Portugal já discutem medidas semelhantes, diante de preocupações com os impactos na saúde mental de crianças e adolescentes.
A iniciativa também provoca debate político: no início do mês, uma proposta de banimento foi rejeitada, mas a votação sobre uma emenda ao projeto de lei de bem-estar infantil está prevista para esta quarta-feira (25). Pais e especialistas pressionam por ações mais firmes contra as empresas de tecnologia, que mantêm plataformas projetadas para prender a atenção dos jovens.





