A disputa por clientes no sistema financeiro brasileiro entrou em uma nova fase. Além de contas digitais, cartões de crédito e empréstimos, bancos tradicionais e fintechs passaram a investir pesado em serviços não financeiros para fidelizar usuários e manter tudo concentrado em um único aplicativo.
Na prática, as instituições querem deixar de ser apenas bancos e se transformar em plataformas completas de serviços, reunindo soluções para o dia a dia que vão de entretenimento e saúde até mobilidade, pets e compras online. A estratégia é clara: quanto mais o cliente usa o app, menor a chance de trocar de banco e assim buscam formas de fidelizar os clientes.
Serviços que vão além do dinheiro
Entre as áreas mais exploradas estão saúde, tecnologia, entretenimento, compras e bem-estar. Muitas dessas soluções são oferecidas em forma de pacotes ou parcerias, com preços reduzidos, cashback e acesso facilitado.
O Banco do Brasil, por exemplo, aposta no Shopping BB, um marketplace integrado ao aplicativo com mais de 200 marcas. Além de compras, o cliente encontra gift cards, recarga de celular, cashback e descontos. A instituição também oferece celular por assinatura, tag para pedágios, seguros com assistência pet e até plataformas voltadas à sustentabilidade.
O Nubank, que já soma mais de 112 milhões de clientes, ampliou suas parcerias e hoje oferece desde operadora de celular (NuCel) até acesso ao plano básico da HBO Max, assinatura do ChatGPT GO, tag para pedágios e um shopping interno com ofertas e cashback. Segundo a fintech, só em 2025 essas parcerias geraram uma economia de quase R$ 159 milhões aos clientes.
Bem-estar como diferencial
Com foco no público acima de 50 anos, o Banco Mercantil criou o programa Meu+, que reúne 13 tipos de assistências, incluindo saúde, odontologia, psicologia, pet, tecnologia e consultoria previdenciária. O pacote custa a partir de R$ 49,99 e não exige carência, o que atrai clientes que buscam serviços rápidos e acessíveis.
Já o Itaú Unibanco investe em uma proposta de ecossistema: marketplace com cashback, programas de relacionamento, pré-venda de shows e eventos, descontos em academias, delivery, streaming e serviços de saúde.
A Caixa Econômica Federal também entrou forte na tendência, oferecendo desde serviços de proteção à mulher até tags para pedágio, seguros variados e cashback em parceiros do varejo.
No Bradesco, a estratégia passa por seguros integrados, loja online no app e soluções como o Tap Bradesco, que transforma o celular em maquininha de cartão.
Nova lógica do setor bancário
Para especialistas, o movimento reflete uma mudança estrutural no setor. Com produtos financeiros cada vez mais parecidos, a diferença está na experiência, na conveniência e no valor agregado. Para o cliente, a vantagem é centralizar serviços, economizar com pacotes e resolver tudo sem sair do aplicativo. Para os bancos, é uma forma de manter o consumidor por perto mesmo quando ele não está falando de dinheiro.





