O Monte Everest, por décadas tratado como o maior símbolo de superação humana, vem revelando uma face cada vez mais perturbadora. O degelo acelerado provocado pelas mudanças climáticas e o aumento do número de expedições transformaram a montanha em um retrato inquietante dos limites — e excessos — da presença humana em ambientes extremos.
Nos últimos anos, alpinistas e equipes de limpeza passaram a encontrar algo que antes permanecia oculto sob o gelo: corpos de escaladores que morreram durante tentativas de alcançar o cume. Muitos deles estão localizados acima dos 8 mil metros de altitude, na chamada “Zona da Morte”, onde a escassez de oxigênio, o frio extremo e o esgotamento físico tornam qualquer resgate praticamente impossível.
A montanha que guarda histórias congeladas
Com o recuo das geleiras, essas vítimas voltam a aparecer, expondo uma realidade dura. Estima-se que dezenas de corpos ainda estejam espalhados ao longo das rotas do Everest, alguns visíveis para quem sobe a montanha. Em certos casos, eles se tornaram pontos de referência informal para os alpinistas.
Entre os episódios mais conhecidos está o mistério envolvendo George Mallory e Andrew Irvine, que desapareceram em 1924. Até hoje, não se sabe se chegaram ao cume antes de morrer. Décadas depois, partes de seus corpos foram encontradas, mantendo viva uma das maiores incógnitas da história do montanhismo.
Outro caso marcante é o de Francys Arsentiev, que morreu durante a descida após tentar escalar sem oxigênio suplementar. Seu corpo ficou exposto por anos, tornando-se símbolo do custo humano extremo da busca pelo topo do mundo.
Além das perdas humanas, o impacto ambiental é evidente: cilindros de oxigênio abandonados, lixo acumulado e dejetos humanos contaminam o gelo. O Everest, antes visto apenas como um desafio natural, hoje também funciona como um alerta global.





