Um novo levantamento científico reforça a ideia de que Marte já foi muito mais parecido com a Terra do que se imaginava. De acordo com a pesquisa, o Planeta Vermelho teria abrigado enormes volumes de água em sua superfície, incluindo mares e até possíveis oceanos, em um passado remoto.
O estudo concentrou a análise no Valles Marineris, o maior complexo de cânions de Marte, e identificou indícios do que seria o nível mais elevado de água já registrado no planeta. A investigação foi liderada por Ignatius Argadestya, pesquisador ligado à Universidade de Berna, na Suíça, e publicada em 7 de janeiro na revista científica npj Space Exploration.
Vestígios de antigos rios e deltas
Para chegar às conclusões, os cientistas examinaram imagens detalhadas captadas por sondas da Nasa e da Agência Espacial Europeia (ESA). Nessas imagens, surgiram redes de canais ramificados que descem de regiões mais altas e terminam em grandes acúmulos de sedimentos.
Essas formações apresentam características típicas de deltas fluviais, estruturas criadas quando rios deságuam em lagos ou mares. Segundo os pesquisadores, isso indica que a água não apenas existia, mas fluía de forma contínua e encontrava corpos hídricos estáveis, onde o material transportado era depositado ao longo do tempo.
Uma antiga “linha costeira” em Marte
Um dos achados mais relevantes é que os depósitos sedimentares aparecem concentrados em uma mesma faixa de altitude, entre 3.650 e 3.750 metros abaixo do nível de referência marciano. Esse padrão sugere a existência de uma antiga linha costeira, marcando o ponto máximo alcançado pela água no planeta.
Além do Valles Marineris, estruturas semelhantes foram encontradas em áreas próximas que conectam a região às planícies do norte de Marte. Para os cientistas, isso fortalece a hipótese de que existiu um sistema aquático interligado, possivelmente um grande oceano primitivo.
Quando Marte teve mais água?
As análises indicam que essas formações surgiram há cerca de 3,3 bilhões de anos, período considerado o auge da presença de água líquida na superfície marciana. Estudos anteriores da Nasa apontam que esse antigo oceano chegou a conter mais água do que o atual Oceano Ártico da Terra.
Com o passar do tempo, Marte perdeu grande parte desse volume, estimativas sugerem que cerca de 87% da água escapou para o espaço. A mudança climática transformou o planeta em um ambiente cada vez mais frio e seco, levando ao desaparecimento de rios, lagos e mares.
Impacto na busca por vida fora da Terra
A descoberta tem implicações diretas na procura por sinais de vida extraterrestre. Regiões onde rios desembocavam em grandes massas de água são consideradas ambientes ideais para preservar vestígios de vida microscópica antiga.





