A conta de luz ficou mais pesada para milhares de brasileiros após a entrada em vigor de novas regras que alteram a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip). No Rio de Janeiro, a mudança começou a ser aplicada neste mês de fevereiro e já provoca aumentos expressivos, principalmente para famílias de classe média.
A alteração foi aprovada pela Câmara Municipal em setembro de 2025, mas só agora passou a valer. A cobrança aparece de forma discreta na fatura de energia, o que faz com que muitos consumidores só percebam o impacto ao conferir o valor final.
Aumento pode ultrapassar 130%
O reajuste atinge principalmente imóveis residenciais com consumo acima de 300 kWh por mês, faixa comum entre famílias de três ou quatro pessoas. Um exemplo prático mostra o peso da mudança: quem pagava cerca de R$ 19,38 de Cosip passou a desembolsar R$ 45,09 mensais, um aumento de 132,7%.
Na prática, isso significa que, ao longo de um ano, o valor pago pode saltar de R$ 232,56 para R$ 541,08, sem que o consumo de energia aumente.
Cálculo complexo e regra de transição
O novo modelo de cobrança segue uma regra de transição considerada confusa. Até que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorize um novo reajuste tarifário, o que normalmente ocorre em novembro, o cálculo da Cosip será feito com base no consumo de janeiro, mês tradicionalmente mais alto.
Isso significa que reduzir o consumo ao longo do ano não altera imediatamente o valor da contribuição. Apenas após o próximo reajuste da Aneel a Cosip passará a ser calculada pela média dos últimos 12 meses.
Quem sente mais no bolso
Segundo estudo atualizado pela inflação, residências da Zona Sul, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes podem registrar aumento entre 7% e 8,4% no valor final da conta de luz. Já consumidores que gastam até 170 kWh têm uma proteção prevista na lei, mas os descontos são mínimos. Em um dos exemplos, a diferença foi de apenas R$ 0,15.
Críticas ao reajuste
O vereador Pedro Duarte do Partido Novo, que se posiciona contra o aumento, afirma que a medida cria um peso extra no orçamento da população, mesmo tendo como justificativa o financiamento de projetos como a iluminação pública e a futura Força Municipal.
” Não se pode criar um peso a mais no orçamento dos cariocas. Continuaremos debatendo com a prefeitura formas de amenizar os efeitos desse aumento ” afirmou o vereador.
Já o advogado tributarista David Nigri explica que contribuições como a Cosip permitem reajustes mais elevados do que impostos tradicionais, o que facilita esse tipo de cobrança sem que o consumidor perceba de imediato a origem do aumento.
Com a nova regra em vigor, a tendência é que a conta de luz continue sendo motivo de atenção redobrada para os consumidores nos próximos meses.





