O crescimento histórico da WNBA nesta temporada, com recordes de audiência, maior público nas arenas e o estrelato de atletas como Angel Reese e Caitlin Clark, trouxe também um fenômeno preocupante, apostas esportivas baseadas no ciclo menstrual das jogadoras.
A denúncia foi feita pela revista Wired, que revelou a existência de uma nova tendência entre apostadores que tentam prever o desempenho das atletas a partir de suposições sobre seus ciclos menstruais. Um dos nomes mais comentados é o de um apostador conhecido como FadeMeBets, que vem ganhando notoriedade nas redes sociais com o que ele chama de “blood money”, expressão que pode significar tanto “dinheiro de sangue” quanto “dinheiro sujo”.
Em seus vídeos, o apostador usa expressões como “temos uma vítima” antes de sugerir, por exemplo, que determinada jogadora estaria na fase lútea tardia, o que, segundo ele, justificaria uma suposta queda de rendimento. Ele afirma ter acertado 11 de 16 previsões, atingindo uma taxa de acerto de 68%, com base em estatísticas desde o basquete universitário.
Sexismo e falta de provas
Contudo, nenhuma jogadora foi consultada, e o método, segundo especialistas, é pseudocientífico e sexista. A médica esportiva Amy West criticou a prática em entrevista à Wired:
“Nem todas as mulheres são iguais. O ciclo tradicional de 28 dias é apenas uma média, ele varia muito de pessoa para pessoa e até de mês para mês. Alguém ser capaz de prever isso sem contato direto com a atleta? Na verdade, é meio bobo.”
Além da falta de fundamento científico, o fenômeno reforça estigmas de gênero e pode ter impactos reais na equidade do esporte, alerta Nadya Okamoto, fundadora da marca de produtos menstruais August:
“Um dos grandes problemas no esporte feminino é a equidade salarial. Se criarem a ideia de que 25% do mês as mulheres não competem no mesmo nível, isso pode ter repercussões muito perigosas.”
Jogadoras da WNBA ganham até 200 vezes menos que atletas da NBA, e discursos que colocam em dúvida sua constância podem aprofundar ainda mais essa desigualdade.





