A instalação do ar-condicionado, muitas vezes tratada como um detalhe técnico, pode ter impacto direto no consumo de energia elétrica. Especialistas ouvidos pelo portal TechTudo alertam que posicionar o aparelho de forma incorreta compromete a eficiência e pode fazer a conta de luz disparar.
Um dos principais erros apontados por profissionais da área é instalar a unidade interna (evaporadora) muito próxima ao teto. Existe uma recomendação técnica conhecida como “regra dos 15 cm”, que orienta manter uma distância mínima entre o aparelho e o teto para garantir o funcionamento adequado.
Essa folga é essencial para que o equipamento consiga captar o ar quente do ambiente e realizar corretamente o ciclo de resfriamento. Quando esse espaço não é respeitado, a circulação de ar fica comprometida e o desempenho do sistema cai significativamente.
Por que o consumo de energia aumenta
De acordo com os especialistas entrevistados pelo TechTudo, a má instalação obriga o ar-condicionado a trabalhar mais para atingir a temperatura desejada. Isso acontece porque o fluxo de ar é prejudicado, exigindo maior esforço do compressor, o componente que mais consome energia no aparelho.
Na prática, isso gera ciclos de funcionamento mais longos, maior gasto de eletricidade e desgaste antecipado das peças internas.
Além disso, o problema pode provocar o chamado “curto-circuito de ar”, quando o ar frio liberado retorna rapidamente ao aparelho sem climatizar o ambiente de forma eficiente. Isso confunde os sensores e faz o sistema ligar e desligar repetidamente, elevando ainda mais o consumo.
Vale destacar também que a distância correta para deixar o ar-condicionado pode variar conforme o projeto. Conforme fala de Rodrigo Men, presidente do Departamento Nacional de Instalação e Manutenção da Abrava, existem aparelhos que podem ficar a apenas 3 cm do teto, já outros devem ser colocados em até 20 cm. Por isso, é importante observar as recomendações dos fabricantes.
Nem modelos modernos escapam do problema
Mesmo aparelhos mais eficientes, como os modelos inverter, não estão livres desse tipo de falha. Embora sejam projetados para economizar energia, eles dependem de uma instalação correta para entregar o desempenho prometido.
Quando há erro no posicionamento, o equipamento pode operar em potência elevada por mais tempo, anulando boa parte da economia esperada.
Impactos vão além da conta de luz
O posicionamento inadequado não afeta apenas o consumo energético. De acordo com Mariangela Rolfini, vice-presidente do DNIM da Abrava, ouvida pelo TechTudo, também podem haver consequências técnicas, como superaquecimento, falhas em sensores, o que aumenta o custo de manutenção do equipamento.
Isso ocorre porque o sistema passa a operar fora das condições ideais, aumentando o desgaste dos componentes internos ao longo do tempo.
Como evitar prejuízos
Para garantir eficiência e economia, a recomendação é seguir as orientações do fabricante e contar com instalação profissional. Manter distância adequada do teto, evitar obstáculos próximos e garantir boa circulação de ar são medidas básicas que fazem diferença no desempenho.
Além disso, práticas simples como limpeza periódica dos filtros e ajuste correto da temperatura ajudam a reduzir o consumo e prolongar a vida útil do aparelho.





