A possibilidade de o Brasil ampliar sua atuação energética na Venezuela voltou ao centro do debate internacional em meio a um cenário de tensão política, disputas geopolíticas e reacomodação do mercado global de combustíveis.
Assim como os Estados Unidos, o governo brasileiro acompanha de perto os movimentos no país vizinho, considerado estratégico por concentrar uma das maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo.
Petrobras avalia cenário com cautela após instabilidade
A Petrobras reconhece o potencial venezuelano, especialmente no setor de gás natural, mas adota um discurso prudente. Segundo a diretora de transição energética da estatal, Angélica Laureano, o momento ainda exige cautela diante dos acontecimentos recentes. A avaliação interna é de que o mercado precisa amadurecer e absorver os impactos políticos antes de qualquer avanço concreto.
Enquanto observa o tabuleiro externo, a Petrobras também promove ajustes internos. A estatal anunciou uma redução de 7,8% no preço do gás natural vendido às distribuidoras, válida a partir de fevereiro, seguindo a lógica contratual atrelada às oscilações do barril Brent e do câmbio. Um dia antes, a empresa já havia comunicado o corte no preço da gasolina, reforçando uma estratégia de adaptação ao cenário internacional.
Nos bastidores, no entanto, o interesse brasileiro vai além das declarações públicas. Técnicos da Petrobras já foram enviados à Venezuela para avaliar campos de exploração e estudar uma eventual retomada da presença brasileira no país.
A movimentação ocorre em paralelo à expectativa de maior abertura do setor venezuelano a empresas estrangeiras, incluindo companhias norte-americanas.
Esse reposicionamento ocorre em um contexto delicado. A instabilidade política, a infraestrutura defasada e a necessidade de altos investimentos ainda são entraves relevantes.
Ao mesmo tempo, um eventual aumento da produção venezuelana pode pressionar preços, acirrar a concorrência global e afetar projetos brasileiros em novas fronteiras, como a Foz do Amazonas.





