Barrada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a principal vacina contra o herpes-zóster, doença comum entre idosos e pessoas com a imunidade comprometida, segue disponível apenas na rede privada, onde o esquema completo pode custar cerca de R$ 1.600.
A decisão do Ministério da Saúde, publicada no Diário Oficial da União, acompanhou parecer desfavorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que avaliou o custo do imunizante como incompatível com uma política pública de alcance nacional.
Custo, eficácia e impacto no orçamento
Na análise, a Conitec reconheceu que há evidências robustas sobre a eficácia da vacina, mas ponderou que o preço inviabiliza a incorporação no sistema público.
O pedido, feito pela própria pasta da Saúde, previa a oferta do imunizante para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunossuprimidas a partir dos 18. Segundo o relatório, o impacto orçamentário chegaria a R$ 5,2 bilhões em cinco anos, considerando a vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano, dentro do limite máximo de doses disponibilizadas pela farmacêutica.
Mesmo com a proposta de desconto apresentada ao governo, que reduziria o valor para pouco mais de R$ 400 por dose, a comissão concluiu que seria necessário um preço em torno de R$ 75 para que a medida fosse considerada custo-efetiva no contexto do SUS.
Na deliberação final, realizada em dezembro, o colegiado destacou que a decisão não encerra negociações futuras e que o Programa Nacional de Imunizações mantém interesse na inclusão, caso haja condições mais favoráveis.
A vacina avaliada é a Shingrix, aprovada no Brasil em 2021 para pessoas acima de 50 anos e imunossuprimidos adultos. São duas doses, com intervalo de dois meses. Hoje, clínicas particulares cobram R$ 800 por aplicação. O vírus pode ficar adormecido no corpo e se manifestar com dores e lesões cutâneas.





