Beber café faz parte da rotina de milhões de brasileiros, seja no café da manhã, após o almoço ou no meio da tarde. A bebida vem ganhando atenção por um possível benefício extra: a proteção da saúde do cérebro, especialmente entre pessoas mais velhas.
Um estudo de longo prazo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) acompanhou cerca de 132 mil pessoas por até quatro décadas nos Estados Unidos.
Ao longo desse período, pouco mais de 11 mil participantes desenvolveram algum tipo de demência. Ao comparar os hábitos, os pesquisadores observaram um padrão curioso: quem consumia entre duas e três xícaras da bebida por dia apresentava cerca de 18% menos risco de receber o diagnóstico.
Por que o café pode ajudar o cérebro?
Segundo os cientistas, o resultado não significa que o café seja um remédio ou uma forma garantida de prevenção. O estudo aponta associação, e não relação direta de causa e efeito. Ainda assim, há explicações biológicas plausíveis.
A cafeína atua no cérebro bloqueando receptores ligados à sensação de cansaço e pode ajudar a modular processos inflamatórios e metabólicos relacionados ao envelhecimento cognitivo.
Além da substância, a bebida contém antioxidantes e compostos bioativos que combatem o estresse oxidativo — um dos fatores associados ao declínio mental. O efeito, porém, parece ter um limite: quantidades maiores do que três xícaras por dia não trouxeram benefícios adicionais.
Outro ponto importante é o tipo de bebida. Os efeitos positivos não foram observados em quem consumia apenas café descafeinado, o que reforça o papel da cafeína. Já o preparo também conta: versões muito adoçadas ou com cremes podem reduzir as vantagens naturais da bebida.
Especialistas lembram que o impacto individual é modesto, mas pode ser relevante em nível populacional, sobretudo diante do envelhecimento da sociedade. Ainda assim, a bebida deve ser visto como parte de um conjunto de hábitos saudáveis.





