O Brasil pode voltar a enfrentar uma paralisação nacional de caminhoneiros nos próximos meses. Lideranças da categoria afirmam que há risco de mobilizações caso o Congresso Nacional não aprove uma medida provisória do governo federal que reforça a fiscalização do piso mínimo do frete rodoviário.
A preocupação gira em torno da Medida Provisória 1.343/2026, publicada em março e atualmente em vigor. No entanto, para se tornar lei definitiva, o texto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado até 16 de julho. Até o momento, a comissão mista responsável pela análise da proposta ainda não foi instalada.
Segundo informações apuradas pela Folha de S. Paulo, a medida é considerada fundamental para garantir o cumprimento da tabela do frete, criada após a greve nacional de 2018. Caso a MP perca a validade, lideranças da categoria afirmam que uma paralisação nacional não está descartada.
Disputa envolve caminhoneiros, agronegócio e indústria
O principal ponto de conflito envolve o modelo de fiscalização eletrônica adotado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida amplia o uso de sistemas digitais para cruzar informações sobre cargas, rotas e valores pagos aos transportadores, permitindo identificar possíveis descumprimentos do piso mínimo do frete.
Entidades ligadas ao agronegócio e à indústria, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), questionam a iniciativa. Os setores alegam que o modelo pode aumentar custos logísticos, gerar insegurança jurídica e resultar em elevado volume de autuações.
Do outro lado, caminhoneiros autônomos argumentam que a tabela é essencial para evitar contratações abaixo dos valores mínimos e equilibrar a negociação com grandes embarcadores.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Wallace Landim, conhecido como Chorão e presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), afirmou que a categoria já está mobilizada e pode convocar uma paralisação nacional caso a proposta não avance.





