Uma inovação criada por uma cientista brasileira promete transformar a forma como o câncer é tratado durante cirurgias. A química Lívia Eberlin desenvolveu uma espécie de “caneta inteligente” capaz de identificar, em poucos segundos, se um tecido é canceroso ou saudável — diretamente no centro cirúrgico.
A ideia surgiu após a pesquisadora observar, de perto, como funcionavam os procedimentos médicos. “Os métodos utilizados eram antigos, demorados e com margem de erro”, explicou. A partir disso, ela decidiu criar uma solução prática, rápida e que pudesse ser usada em tempo real pelos cirurgiões.
Como funciona a caneta que identifica câncer em segundos
Apesar do nome, o dispositivo não escreve — ele “lê” o tecido humano. Durante a cirurgia, o médico encosta a ponta da caneta na área analisada. Uma pequena gota de água é liberada para extrair moléculas do tecido, que são imediatamente analisadas.
Esse processo funciona de forma semelhante ao preparo de um café: a água extrai substâncias, mas, nesse caso, são informações moleculares. Em seguida, algoritmos de inteligência artificial interpretam os dados e indicam, na hora, se há presença de células cancerosas.
A tecnologia já foi utilizada em mais de 400 cirurgias, incluindo casos de câncer de mama, pulmão, cérebro e ovário. Em testes realizados no Hospital Israelita Albert Einstein, os resultados também foram considerados promissores.
O desenvolvimento não foi simples. Lívia enfrentou resistência e ouviu muitos “nãos” ao longo do caminho. “Muitos acharam que não iria funcionar”, relembra.
Hoje, o cenário é outro. A caneta já está em fase de testes em hospitais no Brasil e no exterior, com potencial para reduzir erros e tornar cirurgias mais precisas.
Mais do que uma inovação tecnológica, o projeto representa um avanço concreto: decisões mais rápidas, tratamentos mais eficazes — e mais chances de salvar vidas.





