O cansaço deixou de ser apenas consequência de jornadas longas de trabalho e passou a ocupar um espaço central na vida moderna. Em uma rotina marcada por metas, notificações constantes e pressão por desempenho, especialistas apontam que a exaustão atual vai além do desgaste físico. É nesse cenário que o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han se tornou uma das vozes mais influentes para explicar a fadiga emocional e mental da sociedade contemporânea.
Autor de obras como A Sociedade do Cansaço, Han defende que o modelo atual de produtividade transformou a liberdade em uma nova forma de pressão silenciosa. Em vez de obedecer apenas a ordens externas, o indivíduo moderno passou a cobrar de si mesmo desempenho contínuo, sucesso permanente e disponibilidade constante.
Pensamento de Byung-Chul Han ganhou força ao relacionar liberdade, excesso de desempenho e esgotamento emocional
Segundo o filósofo, a sociedade deixou para trás o modelo disciplinar baseado em proibições e punições para entrar na lógica do rendimento. Na prática, isso significa que muitas pessoas acreditam agir por escolha própria, quando na verdade vivem submetidas à necessidade permanente de produzir, mostrar resultados e se manter relevantes.
O que isso muda no cotidiano pode ser percebido em situações comuns: dificuldade de descansar sem culpa, sensação constante de atraso, ansiedade diante da produtividade alheia e incapacidade de se desconectar do trabalho ou das redes sociais.
A análise de Han ganhou ainda mais repercussão após o crescimento dos casos de burnout, termo utilizado para descrever o esgotamento físico e emocional relacionado ao trabalho. Para o filósofo, esse colapso não surge apesar da liberdade moderna, mas justamente por causa dela.
Em discursos recentes, Han afirmou que a sociedade atual “explora a liberdade” ao incentivar indivíduos a se cobrarem continuamente em nome do sucesso pessoal.





