A operação que resultou na morte de Osama Bin Laden, em maio de 2011, costuma ser lembrada pela atuação precisa dos soldados de elite dos Estados Unidos.
Mas um dos protagonistas daquela madrugada no Paquistão não era humano. Um cão militar, treinado para cenários extremos, teve papel decisivo ao guiar cerca de 75 militares durante a missão considerada uma das mais arriscadas da história recente.
Um soldado de quatro patas preparado para a guerra
O animal integrava a unidade canina do exército americano, que à época contava com cerca de 2,7 mil cães em atividade. Esses animais passam por treinamentos semelhantes aos de tropas especiais: suportam calor intenso, saltos de grandes alturas, deslocamentos noturnos e situações de combate real.
Na missão que ficou conhecida como Operação Lança de Netuno, o cão foi responsável por vasculhar o perímetro do complexo, identificar possíveis explosivos e impedir rotas de fuga.
Para isso, o corpo do animal recebeu adaptações específicas. Ele utilizava colete tático resistente a estilhaços, óculos de proteção para visão noturna e uma microcâmera acoplada, capaz de transmitir imagens em tempo real aos soldados. Havia ainda sistemas de comunicação que permitiam ao treinador dar comandos à distância e máscaras de oxigênio usadas em saltos aéreos.
Alguns cães militares também passam por intervenções mais controversas, como a substituição da dentição natural por próteses de titânio, comparadas a lâminas, usadas em situações de ataque.
O cão que participou da caçada a Bin Laden era conduzido pelo ex-integrante dos Navy SEALs Will Chesney, que mais tarde relatou a experiência no livro No Ordinary Dog. Após a aposentadoria militar, o animal foi adotado pelo próprio treinador e viveu até 2015.
A história expõe um lado pouco conhecido das guerras modernas: o uso de cães altamente treinados, que atuam como soldados silenciosos em missões onde qualquer erro pode ser fatal.





