Uma mudança sutil no cheiro do corpo, especialmente em pessoas mais velhas, pode ser mais do que uma simples alteração natural da idade.
Pesquisas recentes indicam que esse sinal pode estar associado a doenças neurológicas graves, como o Parkinson — e, em alguns casos, surgir anos antes de qualquer sintoma clássico.
Alteração no odor pode anteceder diagnóstico de Parkinson
O alerta ganhou força após estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Manchester, no Reino Unido. A equipe desenvolveu um teste rápido de pele capaz de identificar a doença de Parkinson em poucos minutos, analisando substâncias presentes no sebo — a oleosidade natural produzida pela pele.
A pesquisa foi inspirada em uma descoberta incomum feita por Joy Milne, que percebeu um cheiro diferente no corpo do marido muitos anos antes do diagnóstico. Segundo ela, o odor lembrava mofo e era mais perceptível na região do pescoço e dos ombros. Com o tempo, Joy notou o mesmo cheiro em outras pessoas com Parkinson, o que despertou o interesse da comunidade científica.
Os pesquisadores coletaram amostras de sebo das costas dos voluntários e analisaram os compostos químicos por espectrometria de massa. O estudo, publicado no Journal of the American Chemical Society, comparou pessoas com e sem Parkinson e identificou centenas de substâncias associadas à doença. Em laboratório, o método alcançou cerca de 95% de precisão.
Atualmente, o Parkinson é diagnosticado apenas quando surgem sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão de movimentos — sinais que aparecem quando a doença já está em estágio avançado. A possibilidade de identificar o problema anos antes abre caminho para tratamentos mais precoces e melhor qualidade de vida.
De acordo com a Parkinson’s UK, milhares de pessoas convivem com a doença sem saber. Contudo, embora o teste ainda não esteja amplamente disponível, os cientistas têm concluído que mudanças persistentes no odor corporal, especialmente em idosos, merecem atenção médica.





