Os moradores do município de Juiz de Fora, na região da Zona da Mata, em Minas Gerais, vivenciaram verdadeiros momentos de terror nas últimas semanas por conta dos impactos causados por tempestades que atingiram o local.
Mas é importante destacar que, embora a potência das chuvas tenha influenciado grande parte das tragédias que afligiram a cidade, especialistas apontam que a urbanização também contribuiu para a ocorrência de problemas, como deslizamentos.
Ainda mais considerando que, segundo uma pesquisa recente feita pelo projeto MapBiomas, Juiz de Fora ocupa o 3º lugar entre as cidades com mais área urbana construída, mesmo possuindo um amplo terreno montanhoso.
Os dados apurados revelaram que, entre 1985 e 2024, a ocupação em alta declividade na região aumentou intensamente, subindo de 547 hectates para 1.256 hectares. Por conta destes resultados, a cidade mineira ficou atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro, que são as duas maiores metrópoles do país.
Vale lembrar que Juiz de Fora possui cerca de 540 mil habitantes, posicionando-se assim como a 38º cidade mais populosa do país. E os números analisados pelo MapBiomas revelam que uma fatia significativa desta população vive em áreas de risco.
Problema de cidade envolve questões sociais
Em entrevista ao jornal O Globo, a urbanista Talita Micheleti, que foi coautora da pesquisa, ressaltou que a situação que ocorreu em Juiz de Fora não está relacionada só a questões ambientais, mas também sociais.
De acordo com ela, o crescimento acelerado da cidade ao longo dos anos acabou forçando a ocupação de áreas de risco, mesmo em bairros de condição mais elevada, com muitas pessoas buscando ocupar estes espaços para ter acesso a melhores condições.
Consequentemente, a movimentação também acabou contribuindo para a ocorrência das tragédias. Sendo assim, com base na perspectiva da especialista, fica evidente a necessidade de se buscar uma solução para aprimorar a ocupação urbana.





